POLÍTICA

Janela partidária beneficia Bolsonaro e antecipa redução de partidos no congresso

...

Por POLÍTICA JB
[email protected]

Publicado em 02/04/2022 às 07:34

Alterado em 02/04/2022 às 07:58

Bolsonaro levando vida boa nos EUA às custas do brasileiro Foto: Rajat Gupta/Ansa

Daniel Weterman - As trocas partidárias até essa sexta-feira (1), último dia da janela para os deputados migrarem de legenda sem perder o mandato, beneficiaram a base aliada do governo do presidente Jair Bolsonaro na Câmara e anteciparam um cenário de redução do número de partidos no Congresso Nacional, de acordo com levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), ao qual o Broadcast Político teve acesso.

O PL, partido de Bolsonaro, aumentou de 33 deputados eleitos em 2018 para 69 parlamentares na Câmara, se tornando o maior partido da Casa. Republicanos (de 30 para 44) e PP (de 38 para 49), também da base governista, foram os outros dois que mais cresceram. Após a fusão entre DEM e PSL, o União Brasil ficou como o terceiro maior partido da Casa, mas perdeu 29 integrantes na comparação com a bancada eleita pelas duas legendas e ficou com 52 membros.

O ranking dos maiores partidos na Câmara ficou desta forma: PL (69), PT (53), União (52), PP (49), Republicanos (44) e PSD (41). Em seguida vêm MDB (33), PSDB (30), PSB (28) e PDT (22). Os números ainda podem mudar porque os deputados tinham a possibilidade de migrar até o fim do dia dessa sexta, com as informações sendo atualizadas no sistema da Câmara até o início da próxima semana.

As fusões e as trocas partidárias reduziram o número de partidos de 30 para 23 na Câmara e de 22 para 13 no Senado. Para o Diap, o cenário antecipa uma redução ainda maior no número de legendas nas próximas eleições. O grupo calcula que a Câmara ficará com aproximadamente 20 partidos e o Senado, que passará pela eleição de um terço dos integrantes, permanecerá com 13 no início da próxima legislatura.

No Senado, MDB (de 11 para 16), PSD (de 7 para 11) e Podemos (de 5 para 9) foram as legendas que mais aumentaram de tamanho em comparação às bancadas eleitas em 2014 e 2018. Diferente dos deputados, os senadores podem mudar de partido a qualquer momento sem perder o cargo, mas as composições eleitorais deste ano motivaram as trocas na Casa.

"A janela mostra o efeito da reforma política na disputa eleitoral, beneficia a campanha do atual presidente pela reeleição e aponta um Congresso com menor número de partidos, o que vai ajudar na governabilidade do próximo presidente da República, sendo um novo, ou do atual, sendo reeleito. O ambiente de crise política estará mais controlado", afirmou o analista do Diap Neuriberg Dias. Ele pondera que, mesmo oferecendo um ambiente melhor, os caciques do Congresso não abrirão mão do controle sobre verbas federais.

O analista chama a atenção para o desempenho da chamada terceira via nas trocas partidárias, que manteve um número considerável de integrantes e poderá ser o fiel da balança na eventual disputa entre Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno.

O PSD aumentou de 35 para 41 deputados, o MDB perdeu apenas um, ficando com 33, e o PSDB ganhou um integrante, terminando a janela com 30 parlamentares. "Esses partidos serão decisivos para os dois lados porque vão priorizar a eleição proporcional e os candidatos vão ter de buscar o apoio dessas legendas no segundo turno", disse Dias.

Com a cláusula de barreira, o fim das coligações e a mudança no cálculo das chamadas sobras partidárias, que reduziram a possibilidade de partidos elegerem representantes ao não atingir um número mínimo de votos, as legendas apostam em puxadores de votos para sobreviver no Congresso. Um exemplo dessa estratégia é a decisão do União Brasil de lançar o ex-ministro Sérgio Moro como deputado federal por São Paulo, após Moro ter abandonado a disputa pela Presidência. (com  Agência Estado)

Tags: