Macron recebe Lula em Paris

Antagonista de Jair Bolsonaro no cenário internacional, Macron recebeu Lula na entrada da sede da Presidência, onde os dois posaram para fotos se cumprimentando, mas não houve declarações à imprensa

Foto: Ricardo Stuckert
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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi recebido nesta quarta-feira (17) pelo mandatário da França, Emmanuel Macron, no Palácio do Eliseu, no compromisso de mais alto nível do petista em seu tour pela Europa.

Antagonista de Jair Bolsonaro no cenário internacional, Macron recebeu Lula na entrada da sede da Presidência, onde os dois posaram para fotos se cumprimentando, mas não houve declarações à imprensa.

Em seu perfil no Twitter, Lula disse ter conversado com Macron sobre "urgência climática e questões globais, como a fome e a pobreza", além do "futuro da União Europeia e a integração com a América Latina".

"Acredito que os líderes mundiais precisam sentar à mesa para dialogar e enfrentar esses desafios com uma governança global. Dividimos preocupações como o avanço da extrema direita pelo mundo e as ameaças à democracia e aos direitos humanos. Agradeço pela cordial recepção", afirmou.

 


 

Já o porta-voz do governo francês, Gabriel Attal, declarou que Lula e Macron conversaram sobre "temas absolutamente fundamentais", como a pandemia de Covid-19 e a luta contra o desmatamento. Além disso, negou que o encontro tenha sido uma "ingerência" na política brasileira, já que o petista deve ser candidato a presidente em 2022.

Segundo Attal, a disputa interna no Brasil "não tem nada a ver com a visita de Lula". Macron é um dos principais críticos das políticas ambientais de Bolsonaro, que já zombou da primeira-dama Brigitte Macron nas redes sociais e faltou a um encontro com o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Yves Le Drian, para cortar o cabelo.

Além da recepção no Eliseu, Lula também recebeu nesta quarta um prêmio de "coragem política" da revista Politique Internationale e aproveitou a ocasião para se juntar a Macron nas críticas ao acordo comercial entre União Europeia e Mercosul.

No entanto, enquanto o presidente usa como argumento a devastação da Amazônia, o ex-mandatário afirmou que o tratado de livre comércio vai contribuir para a "desindustrialização" dos países da América do Sul.

"Os parceiros europeus devem entender que temos de exportar produtos de maior valor agregado", disse Lula, segundo relato da agência AFP. O acordo foi concluído em 2019, mas ainda precisa ser ratificado pelos parlamentos dos 27 Estados-membros da UE.

Na opinião do petista, os dois blocos devem voltar a se sentar depois de 2022, ano com eleições em diversos países, para fazer um "bom acordo".

Lula está na Europa desde a última quinta-feira (11) e já se reuniu com o vencedor das eleições na Alemanha, Olaf Scholz, e com o alto representante da UE para Política Externa, Josep Borrell, que esteve recentemente no Brasil.

Além disso, discursou no Parlamento Europeu e disse que Bolsonaro "representa hoje uma peça importante na extrema direita fascista e nazista".(com agência Ansa)

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