'Chega de corrupção', discursa Moro; oposição reage

Ex-juíz se filiou ao partido Podemos, e quer disputar a Presidência da República

Marcelo Camargo/Agência Brasil
Credit...Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ex-juiz responsável pela Operação Lava Jato e ex-ministro da Justiça do governo de Jair Bolsonaro, Sergio Moro, formalizou a sua filiação ao partido Podemos nesta quarta-feira (10), mas não confirmou que será pré-candidato à Presidência em 2022.

O evento em Brasília teve um longo discurso e ataques tanto a Bolsonaro como contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Lula teve seus processos comandados por Moro anulados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) recentemente.

"Chega de corrupção, chega de mensalão, chega de petrolão, chega de rachadinha, chega de orçamento secreto", disse referindo-se aos escândalos recentes nos governos.

Falando sobre sua carreira no Judiciário, o ex-juiz disse que achava que a Lava Jato "iria corrigir a política" e acabar com a corrupção, Moro disse que resolveu se filiar para mudar o país.

"Após um ano fora, eu resolvi voltar. Não podia ficar quieto, sem dizer o que penso, sem tentar, mais uma vez, com vocês, ajudar o Brasil. Resolvi fazer do jeito que me restava, entrando na política, corrigindo isso de dentro para fora", disse aos presentes.

"Eu não tenho uma carreira política e não sou treinado em discurso político. Alguns dizem que não sou eloquente. Mas, se eventualmente, eu não sou a melhor pessoa para discursar, posso assegurar que sou alguém em quem vocês podem confiar", afirmou ainda sob aplausos.

Moro ficou nacionalmente famoso por conta dos processos da Lava Jato, sendo o responsável pelo caso na 13ª Vara Judicial de Curitiba entre 2014 e 2018. Entre suas principais ações, está a condenação de Lula por conta do tríplex localizado no Guarujá (SP). No entanto, em junho deste ano, o STF considerou Moro parcial no julgamento e anulou todas as medidas tomadas.

Já no governo Bolsonaro, Moro foi anunciado como um dos "super ministros", mas ficou cerca de um ano no cargo, saindo em abril do ano passado. Ele deixou a pasta acusando o presidente de tentar interferir na Polícia Federal para proteger os familiares e amigos. O processo ainda está em tramitação.

No discurso desta quarta, ele afirmou que aceitou o cargo de ministro por acreditar "em dias melhores", mas que não teve nenhum apoio dentro do governo. "O Brasil é de todos os brasileiros e nosso caminho jamais será o da mentira, das verdades alternativas ou de fomentar divisões ou agressões de brasileiro contra brasileiro", acrescentou.

O Podemos se coloca no cenário nacional como um "partido independente" e faz parte da "terceira via" para a disputa eleitoral de 2022. (com agência Ansa)

 

 

 

 

 

 

 

 

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