Inflação de alimentos vem, em grande parte, da política estadual do ‘fique em casa’, diz presidente

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Foto: Folhapress / Sergio Lima
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O presidente Jair Bolsonaro foi além de culpar os governadores pelo aumento do preço de combustíveis e disse nessa quinta-feira (26) que a inflação dos alimentos também é responsabilidade dos gestores estaduais pela “política do fique em casa”. As declarações contrastam com outras falas de Bolsonaro no passado, de que, apesar das medidas de restrição à circulação do novo coronavírus, o campo não havia parado de produzir.

Outro fator apontado por Bolsonaro, durante transmissão semanal ao vivo, pela a alta dos alimentos seria a possível revisão do marco temporal de demarcação de terras indígenas, na pauta do Supremo Tribunal Federal (STF), que, se revisto, poderia causar problemas de produção e de abastecimento, bem como impulsionar a alta de preços de produtos do agronegócio.

Segundo o presidente, se aprovado, a revisão do marco temporal “vai inviabilizar e causar sérios transtornos para todos no Brasil”, entre eles problemas para a produção, possibilidade de desabastecimento e avanço do preço de alimentos, que já puxam a inflação para cima.

Diferente do que alega Bolsonaro, o aumento do preço dos combustíveis tem relação com a política de preços da Petrobras, preço internacional do barril de petróleo e o câmbio. Segundo o presidente, o aumento de preços de derivados do petróleo está relacionado à cobrança do ICMS, que se mantém estável nos Estados pelos últimos anos.

Pelas redes sociais, governadores passaram a contestar as declarações do presidente. Ontem, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), disse que a alta no preço dos combustíveis não é fruto da cobrança de impostos estaduais. “O ICMS em SP desde 2015 é o mesmo: 25%. Pior que a incompetência do Governo Federal em administrar a economia, é a tentativa de colocar a população contra os Governadores com narrativas mentirosas”, escreveu.

Quarta (25), durante evento promovido pela XP Investimentos, o governador do Piauí, Wellington Dias (PT), disse que a redução da renda, avanço do desemprego e inflação dos combustíveis, alimentos e energia elétrica reduzem o consumo no Brasil. “Toda hora se diz que a responsabilidade [do preço de combustíveis] é dos Estados. Há 10 anos nenhum Estado fez alteração no ICMS, portanto não é correto colocar que o aumento do combustível foi causado pelo ICMS dos Estados”, afirmou. “Temos todo o interesse de abrir um diálogo”, afirmou.(Pedro Caramuru, Eduardo Gayer e Daniel Galvão/Agência Estado)