Em 'live' na internet, Bolsonaro apresenta vídeos já desmentidos como 'provas' de fraude do voto eletrônico

O presidente havia anunciado que confirmaria suas suspeitas de fraudes, mas deixou bem claro durante a transmissão que não tem como comprovar

Foto: reprodução de vídeo
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O presidente Jair Bolsonaro pleiteou nesta quinta-feira a substituição do sistema de votação eletrônica por cédulas impressas que podem ser contadas, alegando que é necessário evitar fraudes nas eleições do ano que vem.

"Quero eleições no próximo ano, mas eleições limpas, democráticas e sinceras", disse ele em sua 'live' semanal nas redes sociaisl para seus apoiadores.

Bolsonaro mostrou uma série de videos que circulam na internet e já foram desmentidos como supostas evidências de fraude nas eleições passadas, sustentando que a democracia está em risco no Brasil.

Os críticos dizem que Bolsonaro, como o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, está semeando dúvidas eleitorais para pavimentar o caminho para que ele não aceite a derrota em 2022.

Com sua popularidade caindo depois do segundo surto de coronavírus mais mortal do mundo, o do Brasil, as pesquisas de opinião mostram que ele está muito atrás do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, embora nenhum deles tenha anunciado oficialmente que concorrerá.

Bolsonaro insiste há meses que o Brasil deve adotar a cédula de papel, embora uma emenda constitucional que altere o sistema eleitoral não tenha ganhado muita força no Congresso.

O TSE refutou alegações infundadas do Bolsonaro de que houve fraude na eleição de 2014, dizendo que o voto eletrônico pode ser bem auditado. Mesmo o perdedor de 2014, Aécio Neves, que foi derrotado pela candidata de Lula, Dilma Rousseff, em uma eleição acirrada, disse que foi justo.

A escalada das alegações de Bolsonaro de fraude eleitoral veio em um momento tenso, poucos dias depois da notícia de que o ministro da Defesa do Brasil havia emitido uma ameaça de que a eleição de 2022 não ocorreria a menos que as cédulas impressas fossem usadas.(com agência Reuters)