CPI da Covid: médica vetada no Ministério da Saúde para enfrentar a pandemia mostra por que não ficou no cargo

A infectologista Luana Araújo foi dispensada por Bolsonaro antes de assumir o posto; hoje ela calou governistas e empolgou a oposição no Senado

Reuters / Adriano Machado
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Hoje na CPI a cientista chamou o tratamento precoce da covid de "discussão delirante".

Segundo ela, o próprio ministro Marcelo Queiroga disse que "lamentava, mas que a nomeação [dela] não sairia", sem dar mais detalhes que justificassem a negativa.

Para o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD do Amazonas), o depoimento da médica servirá para "mostrar que houve ingerência política no Ministério da Saúde".

A especialista demonstrou ser contra o uso da hidroxicloroquina no tratamento da covid-19 por falta de comprovação científica: "Estamos discutindo de que borda da Terra plana vamos pular", disse a médica sobre assunto, posicionando-se antinegacionista e favorável à Ciência.

"Nós não temos nenhuma ferramenta farmacológica que possa ser utilizada de forma inicial que impeça a progressão da doença", declarou Luana Araújo, que citou métodos científicos e estudos ao longo de seu depoimento.

A infectologista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro disse desconhecer a existência de um "gabinete paralelo" no governo. Durante os dez dias em que atuou na pasta, foram reveladas declarações dela contra o uso indiscriminado dos medicamentos cloroquina e ivermectina, além de ser contrária ao tratamento precoce. Posicionamentos avessos aos defendidos pelo presidente Jair Bolsonaro no combate à pandemia.

Imunidade de Rebanho

Ao contrário da médica Nise Yamaguchi, que prestou depoimento nessa terça-feira (1º), Araújo acredita que a chamada "imunidade de rebanho" não é uma estratégia inteligente.

"É muito esperado [cientificamente] que vírus com base em material genético de RNA sofra mutações ao longo do tempo. Existem algumas poucas mutações que mudam o grau de transmissibilidade do vírus ou possibilidade de ser uma infecção mais grave. Então, a possibilidade de uma imunidade de rebanho no Sars-Cov-2 é impossível de ser atingida", detalhou a médica.

Segundo a infectologista, a imunidade eficaz só será atingida por meio da vacinação em massa da população.

"Conseguimos fazer isso com a vacinação por que conseguimos uma reposta mais sólida e com um período de tempo mais curto. A gente atinge imunidade com vacinação sem sofrimento. Não posso imputar sofrimento e morte a uma população. Para mim, é muito estranho que a gente discuta esse tipo de coisa. Não tem lógica", concluiu. (com agência Sputnik Brasil)



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A infectologista Luana Araújo em depoimento na CPI para apurar ações durante a pandemia