Promessas

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É tempo de promessas! Promessas a nós mesmos, promessas aos outros, promessas até mesmo para Deus.

Por conta do encerramento de um ciclo e o início de outro é comum revisitarmos tudo que realizamos e desenharmos nossas próximas metas, agradecermos por tudo que conquistamos e continuar avançando rumo ao alvo.

As expectativas positivas nos movem, assim como também movimentam a economia.

Esperamos juros altos, inflação, melhora no nível de desemprego e que a economia se recupere. Tudo parece contraditório, mas é a forma como acreditamos de fato.

De acordo com o FMI (Fundo Monetário Internacional), a economia global deve crescer aproximadamente 5%, no entanto, temos no cenário uma inflação que persiste, juntamente com a reorganização da cadeia produtiva e a desaceleração da economia na China, que se caracterizam como adversidades previsíveis.

O Brasil continua sofrendo com a falta de investimentos, a instabilidade política e uma inflação ocasionada pelo aumento nas cotações das matérias-primas, especialmente petróleo e grãos(commodities) no mercado internacional, associado a desvalorização do real.

O que fica para o brasileiro é pagar mais caro pelo produto que exporta, mas ainda assim, continuamos acreditando que dias melhores virão.

Acreditamos e devemos acreditar. E por que devemos acreditar?

Dentre tantos motivos, porque deixar de acreditar é deixar de sonhar e deixar de sonhar é deixar de viver.

Somos seres movidos por sonhos, e não apenas o sonho que não nos movimenta literalmente, mas principalmente o sonho que nos faz levantar todos os dias pela manhã.

Curiosamente, aprendemos com o dito popular que sonhar grande ou sonhar pequeno dá o mesmo trabalho. No entanto, esse pensamento é equivocado, de acordo com a ciência.

A pesquisadora da New York University, Gabriele Oettinger, juntamente com outros cientistas, publicou um estudo provando que sonhar grande exige menos esforço do cérebro, além de ser mais prazeroso do que sonhar pequeno. Contudo, por se tratar de metas a princípio inatingíveis, nos motivam menos a trabalhar em prol da realização efetiva desses sonhos.

Os sonhos grandes arrancam de nós esforços pequenos, enquanto, sonhos pequenos com objetivos bem delineados, nos fazem avançar mais.

Um outro estudo interessante, também realizado pela professora Gabriele, diz respeito ao pensamento positivo. Ela pediu para que estudantes universitários do último ano reportassem com qual frequência eles tinham pensamentos positivos sobre encontrar um emprego, variando de muito raramente até muito frequentemente.

Surpreendentemente, dois anos depois do experimento, Oettingen descobriu que os estudantes que reportaram ter pensamentos positivos com mais frequência receberam menos ofertas de trabalho e que, mesmo aqueles que já estavam empregados, recebiam salários menores do que os dos estudantes que tiveram menos pensamentos positivos.

Um fato intrigante foi que os estudantes que mais pensavam positivo sobre o seu sucesso, reportaram ter enviado menos currículos do que os demais.

Dando continuidade aos estudos, foi feita uma pesquisa com estudantes que tinham pensamentos negativos com maior frequência, e ao término, a pesquisadora concluiu que o equilíbrio entre o pensamento positivo e o negativo é fundamental, o que ela nomeou de contraste mental.

Com a ajuda de cientistas da área da saúde, foi concluído que logo após uma pessoa pensar muito positivamente sobre um desejo futuro, a pressão sistólica do seu coração diminui. Essa pressão mede a força com a qual o seu coração bomba o sangue para o corpo, sendo assim, quanto mais relaxada a pessoa se sentir, menor será a sua pressão sistólica.

O que os pesquisadores sabem é que existe uma relação direta entre o nível de pressão sistólica e a motivação de uma pessoa. Os estudos de Oettingen comprovam que logo após fantasiarmos sobre um desejo futuro, o nosso cérebro nos proporciona prazer, através do sentimento de que aquele objetivo foi alcançado. Consequentemente, este sentimento de conquista causará o relaxamento necessário para fazer com que a pressão sistólica caia, e junto com ela, a motivação.

A conclusão desses estudos não é em hipótese alguma um convite para não termos sonhos e projetos grandes, ou pensamentos positivos, e sim um convite para que possamos fragmentá-los em objetivos e metas alcançáveis.

Já há algum tempo convivemos com inúmeras metodologias e métodos de gestão que nos ajudam a organizar os resultados que queremos atingir no mundo corporativo. Por que não aplicar alguns deles na vida pessoal?

A pandemia trouxe à tona uma realidade já antes percebida que é a necessidade de integrar o prazer ao trabalho. O fato do ser humano ser integral e não obter sucesso tentando separar a vida em partes.

Questões como felicidade no trabalho viraram cursos em universidades renomadas. Pesquisas revelam que pessoas felizes são 31% mais produtivas, vendem 37% mais e são 3 vezes mais criativas. Sabe-se ainda, que não é possível atingir uma alta performance sem que haja a junção do alto desempenho com o clima positivo.

Entendemos que não é possível ignorar a relação entre o bem-estar e a produtividade e que o sucesso privado precisa prescindir o público. Por isso, que neste início de um novo ciclo possamos fazer boas escolhas, traçar metas atingíveis, utilizar tecnologias e metodologias que nos são disponíveis, não perder a fé e a confiança que dias melhores virão, sem deixar de trabalhar duro e com os pés no chão.

Parafraseando o 26° presidente dos EUA, Theodore Roosevelt, que possamos manter os pés no chão e os olhos nas estrelas, que possamos não apenas fazer, mas realizar grandes promessas!

Feliz 2022!

 

Cristiana Aguiar. Economista, especialista em gestão empresarial. Sócia-fundadora da Jeito Certo Consultoria

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