As construções da Era Vargas

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Centenas de monumentos, praças, ruas e escolas em todo o país têm o nome do ex-presidente Getúlio Vargas. Com 80 metros de largura e quatro quilômetros de extensão, a Avenida Presidente Vargas, no Rio de Janeiro, é uma das construções mais significativas da Era Vargas. Principal elo de ligação transportes do Centro do Rio de Janeiro, foi inaugurada em 1944, durante o Estado Novo, na gestão do prefeito Henrique Dodsworth.

A ideia era construir uma avenida que ligasse o Centro ao subúrbio para que aumentasse a circulação na cidade entre a Zona Norte e a Zona Sul, como ocorria, na época, em outros lugares do mundo. Para que o projeto fosse concluído, em três anos, foram derrubados 525 imóveis em breve período de tempo. A via simboliza um marco da modernização do Centro da Cidade.

Causou grande admiração, nessa fase, a construção do Palácio Duque de Caxias (antigo Ministério da Guerra). A reconstrução do prédio da Central do Brasil também foi motivo de aplauso. Além da imensa pista, asfaltada e com calçamentos, constou no projeto de inauguração da Avenida Presidente Vargas, em 1944, novas galerias de esgoto e encanamento de água, desde a Praça da Bandeira até a igreja da Candelária.

Responsável pelo maior fluxo viário da cidade do Rio de Janeiro, a Avenida Brasil começou a ser construída no primeiro governo de Getúlio Vargas, em 1939. As obras de sua abertura também couberam ao prefeito Henrique Dodsworth, através da Comissão de Obras Novas da Secretaria Geral de Viação e Obras. A inauguração da Avenida Brasil foi em 1946 (dois anos depois da Avenida Presidente Vargas).
É a maior via expressa da cidade e do país. Com 58 quilômetros de extensão. Passa por 27 bairros da capital fluminense. Começa na Zona Portuária e termina na Avenida João XXIII, em Santa Cruz, na Zona Oeste. A partir do segundo governo Vargas, até o governo de Juscelino Kubitschek, teve papel importante com a chegada da indústria automobilística

Outro marco de construção da Era Vargas é o Palácio Gustavo Capanema (o antigo Ministério da Educação e Cultura, MEC), que, recentemente, esteve sob a ameaça de ser leiloado pelo governo federal voltaram atrás, após inúmeras manifestações). Construído entre 1937 e 1945 (primeiro governo Vargas), tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), em 1948, é mundialmente elogiado e reflete as ideias vanguardistas do período.

O grande responsável pela construção do Palácio Capanema foi o ex-ministro Gustavo Capanema (1900-1985). Neto de um engenheiro e físico, o Barão de Capanema, que instalou a primeira linha telegráfica do Brasil, em 1855, mineiro, de Pitangui, estudou em Belo Horizonte, na Faculdade de Direito de Minas Gerais. Foi da turma de 1920. Junto com seus colegas de universidade, Capanema também fazia parte do grupo de intelectuais mineiros formado por Carlos Drummond de Andrade, Milton Campos, etc.

Excelente articulador, Capanema deu grande apoio a Getúlio Vargas. Foi efetivado para a pasta de Educação e Saúde, pelo presidente, em julho de 1934. Teve como seu chefe de gabinete o escritor Carlos Drummond de Andrade e assessores como Mário de Andrade, Cândido Portinari, Manuel Bandeira, Heitor Vila-Lobos, Cecília Meireles, Lúcio Costa, Vinicius de Moraes, etc.

O projeto de construção do edifício-sede do ministério foi o maior exemplo de sua abertura em relação à arte moderna. Passou a tarefa para Lúcio Costa. Fizeram parte do monumental projeto de arquitetura os geniais Oscar Niemeyer, Carlos Leão, Afonso Reidy, Jorge Moreira e Ernâni Vasconcelos. A pedido de Capanema, o grande arquiteto francês Le Corbusier veio de Paris para examinar o projeto.

A obra também teve a participação de Portinari, encarregado dos afrescos e do painel de azulejos de escultores famosos. Entre eles, Bruno Giorgi. E, ainda, do paisagista Burle Marx. Iniciada em 1937, a obra ficou pronta em 1944. Mas, só foi inaugurada em 1945, após a derrubada de Getúlio Vargas, sem a presença de Gustavo Capanema.

*Cientista político, porta-voz do Rio Boa Praça.

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