Prioridade

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Investir esforços na análise de consequências reais de políticas econômicas para os mais vulneráveis deveria ser prioridade.

Em nossa sociedade profundamente desigual, falsas caracterizações intentam estabelecer uma visão predominante. "As conclusões geralmente seguem seu desenrolar sem as premissas sobre as quais se baseiam", como bem disse Keynes.

Porque a política não permite controlar o saber, os políticos não hesitam em se abrigar por trás de pseudo-saberes. A questão da separação entre poder e saber continua de pé, e a gestão do saber pelos atores políticos não produz a resposta.

Hoje o cidadão se vê obrigado a confiar em grandes administrações públicas nas quais não exerce qualquer poder efetivo.

A resposta não pode ser unicamente institucional, demanda concepção menos rígida das instituições, que devem se adaptar à fluidez dos circuitos de informação. As soluções mais inteligentes não são fruto de visão ordenadora do mundo.

Fato é que a linha divisória entre o que deriva do conhecimento e o que deriva da política não para de se deslocar. A democracia busca inventar um caminho estreito que dê conta de transformações que o progresso do saber impõe à política.

Toda transferência de informação é transferência de poder, seria ilusão esperar que o saber escaparia às batalhas do poder.

Engenheiro, é autor de "Por Inteiro" (Multifoco, 2019)

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