Um rosto

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Ninguém duvida que a religião em geral pretende ser a melhor, só ela pode responder às expectativas do público, frustrado por uma sociedade em crise. Compreende-se que esta lógica leve a identificar a situação presente com o materialismo.

Isso permite tirar partido do espiritual, e fazer dele comércio. Nesses termos é lugar propício onde indivíduos ou grupos procuram algo a que agarrar-se, abandonando sua liberdade por desejo de se submeter às ordens vindas do alto.

É mais simples, tranquilizador, confortável dobrar-se ao império da lei, aos costumes da tribo, hábitos do grupo. Na contramão, efetivamente corre o risco de ignorar os novos caminhos por onde passa a procura espiritual das pessoas.

A liberdade de agir é uma qualidade que serve para agir. Não uma qualidade qualquer dentre outras, suscita um agir em que seres humanos se veem mutuamente como fins em si, e não como meios para a realização de fins particulares.

Liberdade no Espírito, eis o essencial da mensagem cristã. Assusta, porque ninguém sabe até onde pode conduzir. Surpreende a extraordinária liberdade de Cristo relativamente às práticas que definiam a vida religiosa de seu tempo.

A fé somente se torna pertinente e significativa através do diálogo permanente com as nossas tarefas humanas. Fundamentalmente, é ao nível dos gestos simples que se inventa ou se esboça uma resposta que se espera fiel ao Espírito.

Entre a comunidade abstrata dos seres humanos e a multiplicidade dos destinos individuais, a necessidade tem um rosto.

Engenheiro, é autor de "Por Inteiro" (Multifoco, 2019)

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