ARTIGOS

Flagrante contradição

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Por TARCISIO PADILHA JUNIOR, [email protected]
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Publicado em 01/09/2021 às 12:55

Alterado em 01/09/2021 às 12:55

Na atualidade a informação toma o lugar da cultura. A própria informação confunde as balizas das interpretações. Não apenas por intermédio do cotidiano, mas sobretudo pelo ângulo das intervenções, pontuais, efetuadas pelos especialistas.

Já não há atualmente uma única questão que não seja objeto de informações, de análises, de discussões, nas quais especialistas explicam de maneira simples e direta ao público o último estado das questões relevantes da vida em sociedade.

Há mais exigência de saberes e de informações operacionais. Não dispondo mais de saberes fixos, os indivíduos são levados a diversas direções conforme as informações que recebem, pela consideração de múltiplos pontos de vista.

Daí resultar, nos dias que correm, um saber de massa essencialmente frágil, menos assimilado em profundidade. Devemos entender que objetivamente o desenvolvimento do raciocínio passa cada vez mais por vias sedutoras da informação.

Hoje, a profissionalização das pesquisas de opinião permite conhecer o teor das opiniões sobre todas as questões, quase no momento em que são expostas. Por vezes, acabam por modificar as opiniões que, até então, pretenderia descrever.

Se o acervo de informação aumenta, o mesmo não acontece com o poder de síntese acerca dos dados recebidos. Numa sociedade midiática, aparentemente só há percepções dominantes, tão efêmeras quanto os interesses que as manipulam.

A mídia vive essa contradição quando reveste de autoridade intelectual a sanção de mercado, no dizer de Pierre Bourdieu.

Engenheiro, é autor de "Por Inteiro" (Multifoco, 2019)

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