ARTIGOS

Responsabilidade política

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Por TARCISIO PADILHA JUNIOR
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Publicado em 18/08/2021 às 11:40

Alterado em 18/08/2021 às 11:40

Sociedade grande e complexa
é muito firme e muito elástica.
Norbert Elias

A tradição ocidental exige apoio a instituições democráticas e eleições livres. Mas é difícil encontrar líderes que reconheçam a importância da democracia para além de ferramenta a ser usada para assegurar a própria chegada ao poder.

Disse recentemente o professor Carlos Pereira, da FGV: "quase 95% dos deputados federais da atual legislatura não atingiram sozinhos o quociente eleitoral. Ou seja, necessitaram das sobras de outros partidos coligados para se eleger".

Uma concepção de poder que repercute na tomada de decisão, apequena o debate sobre organização da sociedade. O princípio motor não é o reconhecimento de um interesse comum, mas um sistemático confronto de interesses particulares.

O edifício institucional perdeu as fundações, está flutuando, livre de amarras, como casas de madeira levadas pela enchente.

Num mundo onde a riqueza nasce da multiplicidade de conexões, será preciso evitar a todo custo as perturbações, o imprevisto. Faz crer que a democracia é, invariavelmente, um simples triunfo do número e dos procedimentos eleitorais.

Se democracia e liberdade definem nosso horizonte mental, não temos mais certeza de reconhecer seu verdadeiro sentido.

A melhor maneira de acertar o relógio social é realmente limitar o poder pelo poder, multiplicar os polos de poder.
À luz de realidades presentes, tal maneira só poderá ser significativa caso venha acompanhada de responsabilidade política.

Engenheiro, é autor de "Por Inteiro" (Multifoco, 2019)

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