O Brasil é o país com pior perspectiva para jovens na América Latina

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Desde 2015, o Brasil aparece como um dos cinco piores países para jovens no mundo, como aponta o levantamento do Youthoconomis, que usa 59 indicadores coletados de organizações internacionais como o Banco Mundial, a Unesco e a OCDE para medir dados como saúde, oportunidades de educação, acesso a emprego, participação política, otimismo, entre outros. Esse cenário só piorou de lá para cá, com metade dos jovens de 15 a 29 anos querendo sair do país. Temos a proporção mais alta dos últimos tempos dos que nem trabalham nem estudam (há 27,1% dos chamados “nem-nem”), e 70% dos jovens têm dificuldade de encontrar trabalho. Nunca antes tivemos uma juventude tão decepcionada, sem perspectiva de trabalho e insatisfeita com a condução do país, aponta a recente pesquisa da FGV Social.


Um problema político

Essa falta de perspectiva vem seguida da ausência de políticas públicas que estejam conectadas com os seus anseios e sonhos. Olhando para o cenário nacional, o envio do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2021, sem qualquer investimento para Promoção dos Direitos da Juventude, reflete um amanhã de incertezas aos jovens que constituem nossas mais auspiciosas promessas de futuro. Em âmbito municipal e estadual não é diferente, sendo muito aquem do sentimento de prioridade e centralidade que se imagina que é o ideal. Com o baixo incentivo à criação de conselhos de juventude, o país possui míseros 105 conselhos, tendo presença em menos de 2% do território nacional, como aponta a pesquisa do Atlas das Juventudes. Isso perpassa também pela falta de perspectiva dos governos municipais e estaduais na criação de secretarias de juventude ou um órgão equivalente no seu organograma, acarretando na ausência de planos municipal e estadual que possam nortear programas e projetos aos jovens.


Os jovens clamam

Entre os jovens algumas solicitações são muito pertinentes, como a criação de mais conselhos de juventude para a sociedade civil ter o seu espaço de reivindicação, e uma secretaria de juventude para o executivo estar próximo à população elaborando proposições. Essas duas ferramentas são extremamente necessárias para criação de programas de capacitação, de fomento a empregabilidade, de cultura e educação, sendo um primeiro passo para a construção de cidades e estados que estejam à altura do sonho de sua população jovem, pois se nada for feito, esse será o maior desperdício do potencial de jovens no país, em termos de conhecimento e produtividade, afetando em grandes níveis o cenário econômico.


Uma pressão necessária

O momento tem sido crucial para que os segmentos de juventude, do religioso ao partidário, coloquem suas ideologias de lado e entendam que estão juntos pela causa. O tempo é de união de forças que possam alarmar essa realidade e debater soluções, mostrando às autoridades do Legislativo e do Executivo,que a juventude precisa ter vez e voz. O sucesso do país depende de se ele está disposto a se transformar para atrair jovens e se tem capacidade econômica para isso.

Lincoln Sabino é graduando em Serviço Social e coordenador estadual da Juventude do Republicanos RJ