A unidade do tempo

A linguagem é uma
máquina do tempo.
Lévi-Strauss

Ao abrir um livro de história, o leitor espera entrar num mundo de acontecimentos que realmente ocorreram. Na ordem desses acontecimentos, a evolução dos costumes, das ideias, das práticas, dos sentimentos não se afigura improvável.

"Se é verdade que um excesso de conhecimentos históricos prejudica o ser vivo", alerta Nietzsche, "também é necessário entender que a vida precisa do serviço da história". Decerto é uma das questões centrais da vida em sociedade.

Pretende repor as decisões pontuais dos dirigentes e suas intervenções no âmbito de encadeamentos complexos. Nesses termos, se toda memória é inapelavelmente seletiva, ela precisa afirmar que todas as narrativas não se valem.

A história do presente constitui um observatório notável para medir as dificuldades que surgem entre interpretação e busca da verdade na história. Perguntas incômodas e persistentes, o retrato da CPI da pandemia, depois de onze semanas.

A unidade do tempo faz os acontecimentos lembrados, e faz esperar que o futuro seja orientado pela experiência. No discurso político em plena CPI, acontecimentos e situações presentes são frequentemente remetidos a casos históricos.

A política é a própria procura da excelência que obriga cada nova geração a se avaliar com o melhor das gerações precedentes.

Cada escolha será legítima se continuar compatível com outras escolhas, que só o estrito cumprimento da lei torna possíveis.

Engenheiro, é autor de "Por Inteiro" (Editora Multifoco, 2019)