A proximidade real

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A modernidade é caracterizada
por um ceticismo generalizado.
                                                        Anthony Giddens (1999)

 

As grandes estruturas que se interpunham entre o cidadão e a sociedade perdem importância com o progresso da tecnologia.

Cada geração, na medida em que modifica o ambiente legado a ela, enfrenta e limita o poder dos predecessores. Existe um poder investido em homens e mulheres, que está em constante crescimento, enquanto a espécie humana sobreviver.

Quando entendemos algo analiticamente, depois o dominamos e usamos para a própria conveniência; o tratamos, portanto, em termos de quantidade. Daí o verdadeiro objetivo é estender o poder humano para domínio de todas as coisas.

Foi preciso que a liberdade de opinião, assegurada por aplicação da regra de tolerância, passasse a ser reconhecida como melhor condição para fazer com que, mediante a persuasão e não a imposição, triunfe a verdade em que se crê.

Toda época apresenta duas faces, capacidade de vermos uma ou outra depende da posição em que nos colocamos. Não se pode prescindir da consideração dos efeitos que a satisfação dos desejos de cada um têm sobre desejos dos demais.

Indivíduo consciente não ostenta nada, como exibir alegadas virtudes; virtude ostentada converte-se no contrário. "A tolerância nasce de um acordo, dura enquanto dura o acordo", diz Benedetto Croce, é impraticável em uma polarização.

Na falta de uma base comum de valores compartilhados, hoje esta polarização amplifica sentimentos particulares. A proximidade real entre cidadãos que compartilham as mesmas preocupações e têm o mesmo horizonte parece frágil.

Engenheiro, é autor de "Por Inteiro" (Editora Multifoco, 2019)