No julgamento político

O mundo real é algo
externo ao observador.
Henry Kissinger (2014)

 

No julgamento político, o meio empregado para o alcance do fim passa ao largo da consideração dos princípios?

Para Hegel, na superioridade do sistema político sobre os demais sistemas estaria justificada a conduta do político; daí, inteiramente diversa do bem do indivíduo, a existência concreta do sistema pode valer como princípio da sua ação.

Permite fazer juízo de valor que logre distinguir ações politicamente positivas de ações politicamente negativas. Uma ação pode ser julgada politicamente oportuna, ainda que não seja eticamente boa, nem seja economicamente útil.

A democracia, na medida em que grupos de poder concorrem pacificamente pela tomada das decisões coletivas, é um regime no qual, efetivamente, a maior parcela das decisões é tomada por meio de acordos entre os diferentes grupos.

O funcionamento do Estado moderno demonstra que, a despeito da periódica realização de eleições democráticas, eleitores controlam cada vez menos a administração. Mudança efetiva demanda uma concepção menos rígida das instituições.

Jung convida a examinar o lado humano sob a superfície da racionalidade formal. Como instrumentos sensíveis que somos, medimos situações e registram reações viscerais que são usualmente ignoradas, e que merecem maior atenção.

Apesar do caráter público das audiências da CPI sobre a pandemia, e da respectiva organização de procedimentos, o formalismo das regras tem sido insuficiente para proibir abusos de seus integrantes, e prevenir o risco de desvios populistas.

A religião dos procedimentos é condição de tolerância, mas corresponde a exigência mais profunda que a do bom funcionamento.

Engenheiro, é autor de "Por Inteiro" (Editora Multifoco, 2019)