Riqueza das nações - Riqueza pública das nações - Ativos ocultos

.

Todos dizem que o Brasil é um país rico, sempre considerando a beleza e a riqueza natural do país, em termos de bens minerais, tais como ouro, diamante, petróleo, assim como de seu meio ambiente e da sua biodiversidade, mas esquecem de que essas riquezas são finitas, consumidas ou extraídas de forma ilegal ou colocam fogo. Lembrem-se do ouro levado pelos colonizadores, agora também vendidos sem contabilidade e controle. Desmatam e queimam nossas florestas, vendem suas madeiras nobres e são encontradas num porto estrangeiro (americano) sem, entretanto, seus respectivos certificados oficiais para comercialização legal e dessa forma acabam sendo devolvidas.

Portanto, essa riqueza é passageira e se esvai pelo simples olhar do falso controle de nossas autoridades. Por conseguinte, se quisermos vislumbrar o nosso futuro, basta olharmos para a nossa vizinha Venezuela, também detentora de riquezas naturais, dentre as quais se destaca a maior reserva de petróleo do mundo, um povo belo e maravilhoso, ganharam o concurso de “Miss Universo” sete vezes, mas é atualmente uma nação triste. Beleza e riqueza são dons naturais de um país, que devem ser preservados e aprimorados, juntamente com a melhoria da educação do seu povo.

Assim, a Riqueza das Nações deve ser tratada conforme preconizou e se notabilizou o pai da Economia, Adam Smith. Olhando para o século passado, vendo as experiências econômicas de diversos países, podemos afirmar que a agenda básica para o crescimento e para o desenvolvimento das nações é criar riquezas materiais e humanas, e conservá-las, fazendo com que sua depreciação seja a menor possível e assim tenhamos evolução ao longo do tempo.

Para alcançar o êxito é necessário passar o conhecimento humano incessantemente às novas gerações, e que preservemos o estoque de capital físico o menos depreciado possível. Também é necessário que haja evolução pela transformação destes capitais físicos em novos capitais, acrescendo o estoque de conhecimento humano em máquinas e equipamentos modernos para produzir novos produtos de forma moderna, ou seja, atualizados com tecnologia e que os custos de produção sejam reduzidos ao longo do tempo.

A base para a constante atualização de capital humano e capital físico, é que o imobilizado tenha ganhos constantes de produtividade vindos da tecnologia, como fazer mais e melhor beneficiando a todos. Esse é o sonho de aumento da produtividade com a distribuição da riqueza aos que contribuem para a mesma existir. Em alguns países tivemos processos de hiperinflação, porém não foram suficientes para destruir o capital físico, entretanto, em outras nações com processos mega-inflacionários o capital foi estrangulado, adormecido, ficando oculto por décadas.

Nos dois processos, os países conseguiram debelar a inflação, mas o inusitado é que no país onde se perdeu a referência, o capital físico e humano permaneceu, enquanto o outro manteve a referência deteriorada do passado apesar de estabilizar a moeda, recuperando suas funções de meio de transação e unidade de conta, ficando o estoque de capital físico contabilizado a menor.

O capital humano é tema para longos debates, mas vamos tratar aqui do capital físico ou imobilizado - como preservar fisicamente a produtividade atualizada tecnologicamente e estável, com a reintegração financeira do capital investido adequada. Claro que o nosso sonho é a perfeição, e esta ocorre em condições ótimas quando mantemos estável o seu valor. O valor vem de uma referência o que significa inflação zerada (=IPC=0), ou próxima desse valor ao longo do tempo, ou seja, que a cesta de produtos consumida pela sociedade se mantenha estável em termos de valores, mesmo que existam diferenças dos produtos consumidos no tempo.

Esse comando permite planejar, alongar o tempo, e com isto recuperar o valor dos ativos imobilizados no período de vida útil de forma permanente, que é a dita reintegração do capital. O sonho é difícil de alcançar, assim temos que estabelecer regras claras com esse objetivo e possibilitar a incorporação de grandes quantidades de valores em capitais físicos ao longo do tempo. A riqueza das nações nasce “actio nata” desse conceito. No passado estes ativos só eram possíveis direcionando e acumulando poupanças individuais, sendo o governo o melhor gestor para tal, ou órgãos especializados, o que se convencionou chamar de empresas de governo ou empresas estatais. Assim, está clara a associação de empresas estatais e poupanças forçadas. O que foi esquecido: preservar o estado físico e seu valor financeiro com a reintegração do capital.

A solução acontece quando criamos mecanismos para que a inflação não destrua o capital no tempo. Esse processo surgiu no Brasil se igualando à correção monetária (índice de correção de ativos e patrimônio líquidos) ou sua variação idêntica à inflação. Nesse sentido preservamos a Riqueza Pública das Nações e podemos repartir ou utilizar da forma mais produtiva possível, para que este processo de destruição de capital não aconteça por governos aparentemente bem-intencionados, mas lesivos ao ferir agressivamente o intangível, o futuro que não vemos hoje.

A Riqueza Pública das Nações pode estar adormecida, oculta conforme apontaram os autores suecos, Dag Detter e Stefan Folster-2016 e é nesse sentido que devemos reintegrá-lo à sociedade dando vida e expectativa de futuro concreto ao país. Isso se realiza no uso adequado da expressão econômica depreciação acumulada, que em termos financeiros reais representam aquilo que foi realizado em receitas financeiras em moeda constante, pagas no consumo dos produtos produzidos por esses ativos, que é diferente do número de anos em operação deste ativo imobilizado. Assim, realizamos a reintegração financeira do capital. O Brasil passou por mega-inflação, não por hiperinflação segundo Cláudio Contador, onde as referências perdem sentido. Talvez, por isso, esses erros tenham ocorrido e na visão de curto prazo os ativos ficaram adormecidos, ocultos. Agora é a hora de dar vida e recuperar no longo prazo o Brasil.

Podemos dizer que a leitura de livros foi e será sempre a fonte prodigiosa de conhecimento, sabedoria e até de ideias e ideais capitalistas liberais, sendo esta uma parte importante do processo de desenvolvimento do Brasil em que o estado teve uma função estratégica. A correção monetária de balanço (CMB) quando bem utilizada mascarava e dava vida ao fenômeno inflacionário e sua má utilização alongou e gerou a megainflação e a estagnação no Brasil.

O Brasil seria um caso de hiperinflação?

- O Brasil antes do Plano Real experimentou um processo de megainflação.

- Megainflação não é hiperinflação, embora parecidas em termos numéricos.

- Na hiperinflação, há o repúdio à moeda e aos indexadores nacionais.

- Na megainflação, a taxa de crescimento dos preços pode ser astronômica (como no Brasil), mas a moeda nacional continua sendo utilizada.

*Engenheiro Elétrico (IME) e Doutor em Economia (EPGE/FGV)