Um imperativo

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'A adesão formal aos nossos
esquemas mentais permanece.'
Papa Francisco (2016)


Vivemos a época da mobilidade individual, obrigados que estamos a atender à exigência de autogoverno na indeterminação do futuro. Cada qual se quer autônomo para construir livremente seu ambiente pessoal. Desde a entrada na era do consumo de massa, a cultura consagra a gestão funcional de si em nome do máximo de bem-estar. Há uma efetiva renovação social da forma de valores, uma nova regulamentação social da ética.

Uma realidade perceptível na esfera da vida coletiva. Quanto mais há exigência de autogoverno, paradoxalmente, mais a vida cotidiana é tributária de palavras, de imagens e de mensagens exteriores a nós mesmos.. Hoje a vida está reciclada segundo as leis do espetáculo, pelo qual a mídia fixa as prioridades, orquestra a generosidade. Quanto mais se manifesta o desejo de autonomia individual, mais as ações são estimuladas do exterior.

A ética não deve ser considerada apenas uma atitude puramente individual. Precisamos de instituições econômicas e políticas mais justas, mais inteligentes, mais eficazes. Em meio à mais grave crise sanitária em um século.

Num moderno regime democrático, está realmente em jogo a valorização das virtudes políticas necessárias à conservação de uma sociedade pluralista: tolerância, respeito mútuo, civilidade, espírito de cooperação. Nos dias que correm, o que faz sentido não são mais os grandes projetos, mas realmente fazer retroceder o individualismo irresponsável. Um sentido que país, professores, empresários, terapeutas podem se fixar de fato.

Na base da preocupação com a ética está a proteção da saúde e qualidade de vida. A ênfase na ética dos negócios visa melhorar a imagem das empresas junto à sociedade, quando se multiplicam casos de corrupção. Numa sociedade dominada por valores de saúde e segurança, a negação do parâmetro ético custa caro. Não se pode vencer os desafios da competitividade sem a ênfase em exigências de autonomia, de sentido e de responsabilidade.

Cada vez mais, a ética dos negócios obriga a lutar incansavelmente contra os acidentes de trabalho, fazendo da segurança, da redução dos riscos profissionais, das ações de prevenção os objetivos prioritários das empresas.

Inadmissível é o desrespeito aos princípios fundamentais da vida e da dignidade humana. No plano ético, não resta dúvida: a proteção da vida e da saúde é um imperativo que deve prevalecer sobre os interesses comerciais.

Engenheiro, é autor de "Por Inteiro" (Editora Multifoco, 2019)