PF adia transferência de Rocha Loures para a Papuda a pedido de advogados

Previsão é que ex-assessor de Michel Temer seja transferido na próxima quarta-feira

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A defesa do ex-deputado e ex-assessor do presidente Michel Temer, Rodrigo Rocha Loures (PMDB), teve atendido um pedido feito à Polícia Federal para que sua transferência para o presídio da Papuda, no Distrito Federal, fosse adiada. A mudança de local, que deveria ocorrer nesta segunda-feira (5), foi transferida para a próxima quarta-feira (7). Loures foi preso preventivamente no último sábado (3) e levado para a Superintendência da PF no Distrito Federal. 

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, relator da Lava Jato, sustentou no seu pedido que a prisão de Loures era “imprescindível para a garantia da ordem pública e da instrução criminal".

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, havia pedido, novamente, na quinta-feira (1º) ao Supremo Tribunal Federal (STF), a prisão preventiva de Loures, flagrado pela Polícia Federal recebendo uma mala com R$ 500 mil na Operação Patmos, investigação baseada na delação premiada da JBS. O pedido foi feito após o ex-ministro da Justiça Osmar Serraglio voltar para o cargo de deputado federal. Com o retorno, Loures, que era suplente de Serraglio, perdeu o foro privilegiado.

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O procurador-geral da República Rodrigo Janot classificou o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) como “homem de total confiança, verdadeiro longa manus do presidente da República, Michel Miguel Elias Temer Lulia”. A declaração de Janot foi feita quando ele reapresentou no Supremo Tribunal Federal (STF) pedido de prisão preventiva de Loures. A expressão “longa manus” significa executor de ação premeditada por outro.

Janot apresentou novamente o pedido de prisão de Loures assim que ele perdeu a imunidade, com a volta do deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) à Câmara dos Deputados depois de ser demitido do cargo de ministro da Justiça pelo presidente Michel Temer.

O procurador já havia pedido a prisão preventiva de Loures, então assessor de Temer, no início da Operação Patmos, em 18 de maio. Na época, o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF, rejeitou a medida e apenas limitou-se a afastar o parlamentar do mandato.

Loures e Temer são alvo de um mesmo inquérito sob condução de Fachin. A procuradoria suspeita de prática de corrupção passiva, organização criminosa e obstrução à investigação. Janot reafirmou que o ex-assessor especial ‘aceitou e recebeu com naturalidade, em nome de Michel Temer’, oferta de propina de Joesley Batista, acionista da JBS.

A Polícia Federal prendeu Loures preventivamente em Brasília, na manhã deste sábado (3). Ele foi levado para a Superintendência da PF no Distrito Federal. O ex-deputado foi flagrado correndo por uma rua de São Paulo, em abril, carregando uma mala estufada de propinas do Grupo JBS – R$ 500 mil divididos em 10 mil notas de R$ 50.