PM que denunciou ministro do Esporte depõe na PF e pede escolta

O policial militar delator de um suposto esquema de corrupção no Ministério do Esporte, João Dias Ferreira, chegou por volta das 14h30 desta quarta-feira à Sede da Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal, onde deve prestar depoimento e protocolar o pedido de escolta policial deferido ontem pelo Ministério da Justiça.

De acordo com a assessoria da Superintendência, por volta das 16h30, ele ainda prestava esclarecimentos sobre as razões pelas quais necessita de proteção.

O depoimento estava previsto para ocorrer ontem, mas, de acordo com a Polícia Federal, Ferreira não compareceu por motivo de saúde. Para conseguir o benefício, o PM deverá fazer uma queixa, já que, até o momento, nenhuma ocorrência sobre o caso havia sido registrada.

A concessão da escolta pelo Ministério da Justiça foi em resposta a pedido do PSDB. O partido oficializou a solicitação após o policial militar encontrar líderes da oposição em Brasília em uma reunião na tarde de ontem, em que afirmou que novas denúncias de irregularidades na pasta devem surgir nos próximos dias. "Há muita água para rolar, muitos acompanhamentos virão", disse o PM. Sem dar detalhes sobre o teor das denúncias, Ferreira sugeriu que há cerca de 300 "caixas-pretas" no ministério.

As acusações contra Orlando Silva

Reportagem da revista Veja de outubro afirmou que o ministro do Esporte, Orlando Silva (PCdoB), lideraria um esquema de corrupção na pasta que pode ter desviado mais de R$ 40 milhões em oito anos. Segundo o delator, o policial militar e militante do partido João Dias Ferreira, organizações não-governamentais (ONGs) recebiam verbas mediante o pagamento de uma taxa que podia chegar a 20% do valor dos convênios. Orlando teria recebido, dentro da garagem do ministério, uma caixa de papelão cheia de cédulas de R$ 50 e R$ 100 provenientes dos desvios que envolveriam o programa Segundo Tempo - iniciativa de promoção de práticas esportivas voltada a jovens expostos a riscos sociais.

João Dias Ferreira foi um dos cinco presos no ano passado pela polícia de Brasília sob acusação de participar dos desvios. Investigações passadas apontavam diversos membros do PCdoB como protagonistas das irregularidades, na época da Operação Shaolin, mas é a primeira vez que o nome do ministro é mencionado por um dos suspeitos. Ferreira, por meio da Associação João Dias de Kung Fu e da Federação Brasiliense de Kung Fu, firmou dois convênios, em 2005 e 2006, com o Ministério do Esporte.

O ministro nega as acusações e afirmou não haver provas contra eles, atribuindo as denúncias a um processo que corre na Justiça. Segundo ele, o ministério exige judicialmente a devolução do dinheiro repassado aos convênios firmados com Ferreira. Ainda conforme Orlando, os convênios vigentes vão expirar em 2012 e não serão renovados.