Oposição se reúne com ex-policial que denunciou Orlando Silva

Líderes da oposição estavam reunidos, na tarde desta terça-feira (18), com o ex-policial militar João Dias Ferreira, que acusa o ministro do Esporte, Orlando Silva (PCdoB), de participar de um esquema de corrupção para a liberação de recursos públicos a organizações não governamentais (ONGs). Eles pretendem extrair de Ferreira mais informações sobre a suposta atuação do ministro.

Mais cedo, a Comissão de Educação do Senado rejeitou requerimento para ouvir o ex-policial e, por isso, a oposição, articulou um "depoimento informal" de Ferreira. Enquanto isso, Orlando Silva prestava esclarecimentos em audiência conjunta na Câmara dos Deputados.

Em entrevista à revista Veja, Ferreira disse que o ministro teria recebido, pessoalmente, dentro da garagem do Ministério, uma caixa de papelão cheia de cédulas de R$ 50 e R$ 100 provenientes da quadrilha. Parte desse dinheiro, segundo a publicação, foi usada para pagar despesas da campanha presidencial de 2006. Orlando Silva nega as acusações.

Ferreira foi um dos cinco presos no ano passado pela polícia de Brasília sob acusação de participar de desvios de recursos destinado a um programa da pasta. Investigações passadas apontavam diversos membros do PCdoB como protagonistas das irregularidades, na época da Operação Shaolin, mas é a primeira vez que o nome do ministro é mencionado por um dos suspeitos.

Ferreira, por meio da Associação João Dias de Kung Fu e da Federação Brasiliense de Kung Fu, firmou dois convênios, em 2005 e 2006, com o Ministério do Esporte. De acordo com ele, o esquema utilizava o programa Segundo Tempo para desviar recursos usando ONGs como fachada. Orlando Silva foi apontado como mentor e beneficiário desse esquema. As ONGs recebiam verbas mediante o pagamento de uma taxa que podia chegar a 20% do valor dos convênios.