Oposição quer afastamento de ministro e investigação de corrupção

Brasília - Os partidos oposicionistas PSDB e PPS defenderam nesta segunda-feira que a procuradoria-geral da República investigue um suposto esquema de irregularidades envolvendo convênios entre o Ministério do Esporte e a ONG Pra Frente Brasil, que teria desviado mais de R$ 40 milhões em oito anos. Para as legendas de oposição, o ministro Orlando Silva, apontado pelo policial militar e ex-militante do PCdoB João Dias Ferreira como um dos beneficiados do desvio, deve se afastar do cargo no governo federal e prestar esclarecimentos "convincentes".

Os partidos também tentarão convocar o ministro a prestar esclarecimentos no Congresso. Com uma ampla base governista, no entanto, os requerimentos de convocação devem ser derrubados e aprovados, na sequência, pedidos de convite para que Orlando Silva apresente sua versão sobre os fatos. João Dias Ferreira e o motorista Célio Soares Pereira, que supostamente entregava os recursos desviados pessoalmente ao ministro, também serão convidados. Se forem aprovados convites, nenhum deles é obrigado a comparecer a explicar o caso aos parlamentares.

"Essas denúncias são reiteradas há muitos anos. As explicações são sem nenhuma profundidade, são supérfluas. O que não ocorre são providências. É prática de um governo determinado a promover a limpeza (de integrantes envolvidos em irregularidades) afastá-los até o fim das investigações. Não há como um governo aceitar denúncias gravíssimas e reiteradas passivamente", disse o líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PSDB-PR). "Apostamos no Ministério Público, que tem sido responsável, e certamente determinará a instauração de inquérito para apurar os fatos", completou. Para ele há indícios dos crimes de corrupção ativa e passiva, prevaricação, improbidade administrativa, formação de quadrilha e fraude em licitações.

"A situação é muito grave. As denúncias não são de hoje. A depender do governo não teremos nada esclarecido do ponto de vista de uma questão dessa magnitude. O primeiro passo seria o ministro se afastar e dizer que quer ser investigado. Não é o caso desse governo, infelizmente", declarou o líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PPS-PR).

O denunciante do esquema, João Dias Ferreira, foi um dos cinco presos no ano passado pela polícia de Brasília sob acusação de participar de desvios de recursos destinado a um programa da pasta. Investigações passadas apontavam diversos membros do PCdoB como protagonistas das irregularidades, na época da Operação Shaolin, mas é a primeira vez que o nome do ministro é mencionado por um dos suspeitos. Ferreira, por meio da Associação João Dias de Kung Fu e da Federação Brasiliense de Kung Fu, firmou dois convênios, em 2005 e 2006, com o Ministério do Esporte.

De acordo com Ferreira, o esquema utilizava o programa Segundo Tempo para desviar recursos usando ONGs como fachada. Orlando Silva foi apontado como mentor e beneficiário desse esquema. As ONGs recebiam verbas mediante o pagamento de uma taxa que podia chegar a 20% do valor dos convênios. Orlando Silva teria recebido, pessoalmente, dentro da garagem do Ministério, uma caixa de papelão cheia de cédulas de R$ 50 e R$ 100 provenientes da quadrilha. Parte desse dinheiro, acusa a revista Veja, foi usada para pagar despesas da campanha presidencial de 2006.