Transporte público precário impede que motoristas deixem o carro em casa no DF

Brasília - O Dia Mundial sem Carro, comemorado hoje (22) para conscientizar os motoristas da influência direta e indireta causada pelo automóvel no meio ambiente, não surtiu o efeito esperado em Brasília. A precariedade do transporte público é um dos principais fatores que fazem o brasiliense tirar o carro da garagem durante a semana.

"Não pratiquei e não vou praticar o dia mundial sem carro", disse a publicitária Nathália Millen de 20 anos. Para ela, a falta de conforto e a incerteza nos horários do transporte público são dois motivos que precisam, urgentemente, serem mudados. "Gasto mais, mas meu carro me proporciona conforto e comodidade, fatores que o serviço público não oferece".

O Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) informou que até o final de agosto, a frota de carros em Brasília somava 1.294.869, para uma população de 2,6 milhões de pessoas, número que tende a aumentar cada vez mais.

O estudante Ravi Magalhães de 23 anos disse que usa o transporte, e que sempre passa transtornos. "Em Brasília é difícil andarmos de ônibus, pois a falta de um itinerário prejudica bastante, principalmente de manhã, quando muita gente sai para trabalhar".

O gargalo da falta de qualidade do transporte público na capital federal, no caso dos ônibus, também inclui rodoviários que alegam más condições de trabalho e, de tempos em tempos, anunciam greves. A última, feita em esquema relâmpago, surpreendeu os passageiros ontem (21).

Hoje o sindicato dos rodoviários informou que não haverá greve, mas que o fim da paralisação não teve nenhum envolvimento com o Dia Mundial sem Carro. "Decidimos não paralisar por termos uma reunião nesta tarde com o secretário de transportes [José Walter Vazquez Filho]. Somente após a reunião é que decidiremos o rumo da greve", disse o presidente do Sindicato, José Osório.

Para o analista de sistemas Leonardo Rodrigues, 24, Brasília só seria capaz de oferecer um dia mundial sem carro se o transporte público adotasse medidas como, redução de tarifa (Brasília tem a mais cara do país), o aumento no número de ônibus e a criação de novas linhas de ônibus e metrô. “Acabamos nos tornando prisioneiros desse serviço precário, onde nos vemos na situação de que se não utilizarmos, não nos locomovemos. Ainda não dá para pensar em uma Brasília sem carros".