ASSINE
search button

Comercial com Machado de Assis não é o primeiro a ignorar negros, diz liderança

Compartilhar

A escolha de um ator branco para interpretar o escritor Machado de Assis em um comercial da Caixa Econômica Federal causou questionamentos por partes do movimento negro. "É um erro sempre cometido quando se trata de personagens negros", lamenta o coordenador nacional da União de Negros Pela Igualdade (Unegro), Jerônimo Silva Júnior. A propaganda foi retirada do ar pela Caixa nesta quarta-feira (21), depois de um pedido formal da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (Seppir).

Silva Júnior lembra que outras peças publicitárias e programas de TV já representaram como brancas algumas figuras históricas negras. O abolicionista André Rebouças surgiu na pele de um ator branco em material da Prefeitura do Rio de Janeiro. "Até Orfeu (da Conceição, personagem de Vinicius de Moraes) foi interpretado por branco em novela", lamenta.

- Isso se repete porque é a ideia da supremacia do homem branco. Há a tentativa de negar a presença do negro na formação da sociedade brasileira. A historia é contada pela classe dominante e enaltece aquilo que se assemelha a ela - avalia o ativista.

Para Silva Júnior, esse tipo de erro acontece sem que nem mesmo seja notado. "É a institucionalização do racismo". "O racismo se naturalizou a ponto de não percebermos um ato como esse como negação de nossa cultura".

O líder negro elogia, porém, a retratação do banco, que, em nota, pediu desculpas a toda a população e, em especial, aos movimentos ligados às causas raciais. "Admitir o erro é importante para propor uma solução ao problema", conclui.