Mídia joga Dilma contra Lula após demissões, diz Pedro Simon

Pela primeira vez, a presidente Dilma Rousseff rejeitou o uso do termo "faxina" para definir as últimas demissões na Casa Civil e nos ministérios dos Transportes e da Agricultura, motivadas por denúncias de corrupção. "A forma como colocam a política do meu governo contra malfeitos chamando-a de faxina eu não concordo, acho extremamente inadequado. Combate-se o malfeito, não se faz disso meta do governo. Faxina no meu governo é contra a pobreza", declarou Dilma, após um evento no Palácio do Planalto.

Para o senador Pedro Simon (PMDB), articulador da Frente Suprapartidária contra a Corrupção e a Impunidade, concorda com o uso inadequado da palavra "faxina".

- Não gosto do termo, meio demagógico. O problema é aplicar o que tem que ser feito. Também não vejo com muita simpatia. Nunca usei "faxina".

Simon identifica uma tentativa, na mídia, de lançar Dilma contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após os cortes na base aliada do PT.

- Ela fica meio assim. Parte da imprensa está querendo levar o negócio pra Dilma x Lula. "Lula nomeou, ela está demitindo, era o homem da confiança do Lula..." Então, isso é muito ruim. É até uma maldade da imprensa levar pra esse lado, porque já é um problema difícil. Digo, en passant, que o Lula não fez, o Fernando Henrique (Cardoso) não fez, e ela está fazendo. Mas não vamos botar um contra o outro, vamos levar adiante - analisa o senador gaúcho.

Entretanto, o peemedebista não deixa de ver intromissões do ex-presidente, em particular no caso da demissão do ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci.

- O problema dela tem que ser objetivo. Ela teve coragem nota dez com o chefe da Casa Civil (Antonio Palocci). O Lula veio aqui (em Brasília) e pediu pra não tirar. Ela tirou. Então, é continuar: na hora que alguém cometer um erro, demite. E o que é mais importante: na hora de escolher os cargos, olhar as fichas, ver qual é a biografia e se o cara tem competência - sintetiza.