Dilma critica imprensa, rejeita ideia de 'faxina' e nega escala de demissões

A presidente Dilma Rousseff rejeitou, nesta quarta-feira, a ideia de estar promovendo uma "faxina" nos ministérios por conta de denúncias de uso irregular de verbas públicas. A presidente anunciou hoje a expansão do programa de microcrédito para empreendedores individuais e autônomos. Ela reclamou da palavra "faxina" usada pela imprensa para descrever a série de quatro demissões em oito meses de governo.

"Essa pauta (de demissões) jamais vou assumir. Não se demite, nem se faz escala de demissão, nem sequer demissão todos os dias. Isso não é a Roma Antiga. Qualquer atividade inadequada, malfeita, que for constatada no governo, mantida a presunção de inocência, tomarei providências. A forma como colocam a política do meu governo contra malfeitos chamando-a de faxina eu não concordo, acho extremamente inadequado. Combate-se o malfeito, não se faz disso meta do governo. Faxina no meu governo é contra a pobreza", disse.

Dilma fez menção à demissão do ex-ministro da Agricultura Wagner Rossi, que caiu há uma semana após denúncias de irregularidades na pasta. A presidente falou sobre a importância da presunção da inocência, argumento usado por ela para defender Rossi à época das denúncias contra ele. A presidente também criticou a divulgação das fotos dos presos na operação Voucher, da Polícia Federal, que prendeu 38 funcionários do Ministério do Turismo por denúncias de uso irregular de dinheiro da pasta.

"O que eu não vou aceitar, em hipótese nenhuma, é que qualquer pessoa no meu governo seja tratada sem respeitar os princípios fundamentais, que são o respeito aos direitos individuais e às liberdades. A lei é igual para todos, não tem aqueles acima da lei. É importantíssimo respeitar a dignidade das pessoas e não submetê-las a condições ultrajantes, e eu sei disso porque já passei por isso. E a presunção da inocência. Sendo baseado nesses princípios, tomarei todas as providências", afirmou.

Cronologia

O primeiro ministro de Dilma a cair foi o ex-titular da Casa Civil Antonio Palocci, que entregou sua carta de demissão no dia 7 de junho, após 23 dias de crise e forte pressão. Palocci não resistiu a denúncias de enriquecimento ilícito e tráfico de influência. Segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo, o ex-ministro teria aumentado seu patrimônio pessoal em 20 vezes nos 4 anos em que foi deputado, por meio da empresa de consultoria de Palocci, a Projeto. Dilma nomeou a ex-senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) para a Casa Civil.

O ex-titular dos Transportes, Alfredo Nascimento, também pediu demissão, um mês depois de Palocci, pelo mesmo motivo: não resistiu às denúncias da revista Veja de superfaturamento de obras e pagamento de propina no âmbito do ministério e órgãos subordinados, como o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). No órgão, 24 servidores foram afastados após as denúncias. Nascimento voltou ao Senado, para onde foi eleito pelo Amazonas. Em seu lugar, assumiu o secretário-executivo, Paulo Sérgio Passos.

O terceiro ministro a deixar o cargo foi o da Defesa, Nelson Jobim, que caiu após declarações dadas à revista Piauí, reveladas pelo jornal Folha de S.Paulo. Na entrevista, Jobim teria considerado a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, "fraquinha", e dito que a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, "sequer conhece Brasília". Jobim negou ter feito as críticas e disse que as informações seriam "parte de um jogo de intrigas". Em entrevista, ele declarou seu voto no tucano José Serra nas eleições presidenciais do ano passado.

O último ministro de Dilma a cair foi o da Agricultura, Wagner Rossi, que pediu demissão na última quarta-feira, após uma série de denúncias na pasta. O ex-ministro decidiu entregar o cargo após uma reportagem do jornal Correio Braziliense, dando conta que Rossi teria usado o jatinho executivo da empresa agropecuária Ourofino. Em outubro do ano passado, quando Rossi já era ministro, a Ourofino obteve autorização do ministério para comercializar uma vacina contra a febre aftosa.