Delegado da PF, tucano irá relatar caso Costa Neto na Câmara

Em seu primeiro mandato, o deputado federal Fernando Francischini (PSDB-PR) foi escolhido nesta quarta-feira relator do processo contra o também deputado e secretário-geral do Partido da República (PR), Valdemar Costa Neto, no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados. Delegado licenciado da Polícia Federal, Francischini promete ser imparcial ao formar suas convicções, mas adianta que vê como "gravíssimas" as suspeitas de existência de um esquema de corrupção no Ministério dos Transportes, com os supostos recebimento de propina de empreiteiras e superfaturamento de obras públicas. Valdemar Costa Neto seria o responsável por mandar emissários receberem os repasses desviados.

"Minha escolha já é uma resposta à população, escolher alguém com histórico de delegado da Polícia Federal que coordenava as operações para passar a limpo situações gravíssimas que ocorreram nos últimos meses já é uma demonstração no mínimo do presidente do Conselho de Ética de que quer mostrar resultados para a população que cobra muito do Congresso Nacional", disse o deputado, que relembra ter histórico na caça de criminosos. Coube a Fernando Francischini a coordenação de operações policiais que levaram à prisão dos traficantes Fernandinho Beira-Mar e Juan Carlos Abadía.

"Me honra ter sido escolhido. Eu, depois de tantos anos de delegado da Polícia Federal que comandava as grandes operações, fui alçado a deputado federal por 130 mil pessoas. Quem escolheu e me colocou para representá-los aqui queria um delegado da Polícia Federal no Congresso Nacional. Vou tentar agir com imparcialidade, mas com justiça, buscando resultados e buscando provas que forem necessárias e trazendo um resultado dentro do que a opinião pública cobra, o de justiça", afirmou.

"Entendo que o Conselho de Ética é um conselho novo, renovado nessa atual legislatura. Ainda não formei juízo de valor porque posso colocar em suspeição meu relatório. Será um relatório que busca averiguar um fato gravíssimo na nossa política nacional que é a questão do Ministério dos Transportes e a relação político-partidária", completou o relator do caso.

O presidente do Conselho de Ética, José Carlos Araújo (PDT-BA), se limitou a afirmar que "coincidentemente" foi escolhido um delegado da Polícia Federal para relatar o caso do secretário-geral do PR.