Presidente do PT nega crise e defende modelo de governo

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, disse nesta quinta-feira, em Curitiba,  que não há motivos para o partido revisar o modelo de administração adotado por conta da sucessão de escândalos ocorridos em diferentes ministérios. Para Falcão, não há crise nem no governo, nem na base aliada. 

"Nunca ouvi falar em revisão de governo de coalizão. Temos uma tradição no nosso partido, que não vamos governar o país em regime de partido único. O PT não vive nenhuma crise nem em Brasília, nem no Paraná, estou aqui para colher esse clima de otimismo, com a aprovação da presidente Dilma e a preparação para as eleições municipais, e não para tratar de nenhum tipo de crise, que não existe", declarou Falcão, que participou de um seminário para discutir as eleições municipais com as lideranças partidárias paranaenses.

Falcão também classificou como pontual as recentes substituições nos ministérios do governo Dilma. "Não há crise nenhuma nos ministérios. Os ministros estão fazendo seu trabalho. O PAC está em andamento, o 'Minha Casa, Minha Vida' está em andamento, a aprovação da presidente Dilma está nos mesmos níveis da do Lula em seus melhores momentos. Houve uma substituição de ministros, por razões que todos conhecem".

O presidente do PT disse não acreditar que a base aliada no Congresso obstrua propositalmente a pauta como demonstração de insatisfação com o governo. "Desconheço essa declaração sobre obstrução por parte do PMDB. Mas participei, ontem, de uma reunião do conselho político do governo com os presidentes dos partidos da base, os líderes de bancada, com a presidenta e o ministro da fazenda. E vários líderes se manifestaram, como o presidente do PMDB, dizendo que estavam unidos em defesa de pontos que estão em debate na Câmara e no Senado. Não senti naquele plenário nenhum tipo de manifestação ameaçadora, desafiadora ou de divisão".

Para as eleições do ano que vem, Falcão disse que o partido só não admitirá coligação com DEM, PSDB e PPS, e que avaliará todos os candidatos colocados pelos partidos da base, mesmo os que historicamente foram adversários do PT. "Não fazemos política com o fígado, fazemos atentando para programas, ideias e o que é melhor para as cidades. No Rio de Janeiro, fechamos apoio ao prefeito Eduardo Paes (PMDB), que, no parlamento, foi um grande crítico ao governo Lula", comentou.

Para Falcão, o PMDB continuará sendo um dos principais aliados petistas nas eleições municipais de 2012. "O PT e o PMDB são partidos políticos. Todos os partidos têm projetos de poder legitimamente. Vamos agora, depois de 30 de setembro, com todos os partidos com seus quadros de filiação definidos, vamos sentar com o PMDB, abrir o mapa do país e vamos compor. Obviamente que em alguns lugares, pelas características, poderá haver disputa".

O presidente do PT descartou a possibilidade de acabar com as prévias no partido. "Não há nenhuma proposta que preveja a não realização de prévias no PT. Isso foi uma conquista nossa, somo, ainda, o único partido que faz isso. O que há são propostas para que se estabeleça alguns limites, aumentando os critérios para a candidatura às prévias, mas não há nenhuma emenda prevendo a extinção das prévias".