Dilma: Brasil vai sair da crise mundial "melhor do que entrou"

A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quarta-feira que o Brasil está preparado para continuar crescendo mesmo ao enfrentar a crise financeira mundial e sair dela "melhor do que entrou". "Nosso posicionamento não é recessivo. Vamos preservar nossas forças produtivas, os empregos e a renda da população e, ao fazer isso, temos o combate mais eficaz à crise. Isso não elimina que utilizemos medidas e iniciativas no sentido de nos proteger do ponto de vista financeiro e cambial.", disse, no 83º Encontro Nacional da Indústria de Construção, na capital paulista.

A empresários do setor, a presidente afirmou que a atual crise financeira é perversa, principalmente porque o Brasil não tem a "menor responsabilidade" nela. "Naquela época (em 2008) todos dos países do mundo utilizaram mecanismos para superar a situação crítica. Aplicaram recursos fiscais para salvar os bancos. Deixaram os consumidores e a população sem nenhum apoio ou resgate", disse, acrescentando que esse não será a forma do governo brasileiro de enfrentar as dificuldades. Segundo ela, o Brasil só saiu da crise de 2008porque apostou no consumo. "A saída da crise não era recessiva. Era preciso fomentar a nossa indústria. Agora temos clareza disso", disse.

Dilma pediu empenho da área de construção e disse que a política atual do governo é correta do ponto de vista moral e ético. "Isso porque ela leva milhares de brasileiros à classe média. Temos de fornecer moradia para as classes médias emergentes deste País. Nós temos um compromisso de continuar esse processo com o Brasil sem Miséria, que busca tirar 16 milhões de brasileiros da linha de pobreza."

Segundo a presidente, o Brasil está fazendo a sua parte, mas está nas mãos do povo brasileiro a solução dos problemas do País. "Por isso, tenho certeza que nosso País vai ter uma trajetória sistemática de crescimento econômico. Somos capazes de resistir a este momento que estamos vivendo, que pode durar um pouco mais do que aconteceu em 2008 e 2009, por falta de liderança política. Sairemos dela melhor do que entramos. Temos coragem de enfrentar o perigo e força para criarmos oportunidades".

Em seu discurso, Sergio Watanabe, presidente do Sindicato da Construção em São Paulo (Sinduscon-SP), afirmou que a entidade, assim como a presidente, não irá compactuar com o mal feito da política pública.

No evento, foi anunciado que na quinta-feira será assinada uma carta de intenção com o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante, para a criação de um centro tecnológico voltado ao setor. Também haverá um fundo setorial para investir na inovação do parque tecnológico e no sistema de gestão das empresas.

Fernando Pimentel, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, disse que o momento econômico de insegurança não fará o País recuar em seus projetos. "O Brasil está mais preparado do que antes para enfrentar a crise. Mas não somos imunes à crise. O Brasil navegará nesse mar turbulento e saíremos bem. O Brasil é maior do que a crise".

Entenda

No auge da crise de crédito, que se agravou em 2008, a saúde financeira dos bancos no mundo inteiro foi colocada à prova. Os problemas em operações de financiamento imobiliário nos Estados Unidos geraram bilhões em perdas e o sistema bancário não encontrou mais onde emprestar dinheiro. Para diminuir os efeitos da recessão, os países aumentaram os gastos públicos, ampliando as dívidas além dos tetos nacionais. Mas o estímulo não foi suficiente para elevar os Produtos Internos Brutos (PIB) a ponto de garantir o pagamento das contas.Um fundo de ajuda foi criado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pelo Banco Central Europeu (BCE), com influência da Alemanha, país da região com maior solidez econômica. Contudo, para ter acesso aos pacotes de resgates, as nações precisam se adaptar a rígidas condições impostas pelo FMI. A Grécia foi a primeira a aceitar e viu manifestações contra os cortes de empregos públicos, programas sociais e aumentos de impostos.

A primeira a entrar em colapso foi a Grécia, cuja dívida pública alcançou 340,227 bilhões de euros em 2010, o que corresponde a 148,6% do PIB. Com a luz amarela acesa, as economias de outros países da região foram inspecionadas mais rigorosamente. Portugal e Irlanda chamaram atenção por conta da fragilidade econômica. No entanto, o fraco crescimento econômico e o aumento da dívida pública na região já atingem grandes economias, como Itália (120% do PIB) e Espanha.

Os Estados Unidos atingiram o limite legal de endividamento público - de US$ 14,3 trilhões (cerca de R$ 22,2 trilhões) - no último dia 16 de maio. Na ocasião, o Tesouro usou ajustes de contabilidade, assim como receitas fiscais mais altas que o previsto, para seguir operando normalmente. O governo, então, passou por um longo período de negociações para elevar o teto. O acordo veio só perto do final do prazo (2 de agosto) para evitar uma moratória e prevê um corte de gastos na ordem de US$ 2,4 trilhões (R$ 3,7 trilhões). Mesmo assim, a agência Standard & Poor's retirou a nota máxima (AAA) da dívida americana.