O ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, se colocou nesta segunda-feira à disposição do Congresso para prestar esclarecimentos sobre as supostas irregularidades na pasta levantadas pela revista Veja. Ele ainda anunciou que vai instituir uma sindicância no âmbito do ministério para apurar as denúncias, com prazo de 30 dias para os trabalhos serem concluídos. Ele já havia afirmado em nota não ter sido "conivente" com o suposto esquema.
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Nascimento pediu também ao conselho de administração da empresa Valec, envolvida nas denúncias da revista, delibere sobre a possibilidade de afastamento preventivo do diretor-presidente da companhia, José Francisco das Neves, até o fim da sindicância. Além disso, o ministro se reuniu com senadores e deputados de seu partido, PR, para avaliar quais medidas poderiam ser tomadas.
O líder do PR no Senado, Magno Malta (ES), disse que vai protocolar amanhã um pedido do convite do ministro para se explicar no Senado e na Câmara. "Ninguém fica confortável quando se é atingido no seu nome. Ele foi mantido no cargo e está prestigiado pela presidente no cargo. E o fato de ele ter se colocado a disposição no congresso é salutar. Ele não tentou se agarrar em nada, mas não dá para afastar ministro a toda hora sem prova", afirmou.
Foram anunciados nesta segunda-feira os nomes de três substitutos dos quatro integrantes do Ministério dos Transportes afastados. Na empresa Valec, o atual diretor financeiro, Felipe Sanchez, acumulará a função com a de presidente, antes ocupada por José Francisco das Neves. No lugar do diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luís Antônio Pagot, entrará o diretor executivo do departamento, José Henrique Sadok de Sá. Já na chefia de gabinete do ministro, vai assumir o assessor especial Wilson Wolter, cargo antes preenchido por Mauro Barbosa da Silva. Não foi anunciado substituto para o assessor Luís Tito Bonvini.
Segundo reportagem publicada pela revista Veja, representantes do PR - partido de Nascimento -, funcionários do ministério e de órgãos vinculados à pasta estariam envolvidos em um esquema de superfaturamento de obras e recebimento de propinas.
No fim de semana, quatro pessoas citadas nas denúncias foram afastadas de suas funções: o chefe de gabinete Mauro Barbosa da Silva, o assessor Luís Tito Bonvini, o diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luís Antônio Pagot, e o diretor-presidente da estatal Valec, José Francisco das Neves.
Segundo a revista, Costa Neto, mesmo sem ter cargo na estrutura federal, comandaria reuniões com empreiteiros e consultorias que participavam de licitações do governo na área de transportes. Nesses encontros, os empresários e o político acertariam quais seriam os vencedores das concorrências. O acordo seria feito para que todos saíssem ganhando, inclusive o PR.
Os quatro afastados participariam de um esquema de propinas, comandado pelo secretário-geral do PR, Valdemar Costa Neto, que rendia ao partido até 5% do valor de todos os contratos firmados pelo ministério e sob a gestão da Valec e do Dnit.