Político tem telhado de vidro fino, diz ministro em evento do PP

A participação do ministro das Cidades, Mário Negromonte, no encontro estadual promovido pelo diretório gaúcho do PP nesta sexta-feira (1º), em Porto Alegre, foi marcado pela informalidade. Quando falava sobre a necessidade dos políticos serem corretos e primarem pela transparência, o ministro não usou meias-palavras: "Todo mundo pode chegar ali atrás do carro, em uma festa, e fazer xixi. O político não pode. Quando entra para a política, compra um telhado de vidro bem fininho. Todo o seu passado vem à tona. Se usou brinco, se tem tatuagem, se fumou maconha."

Negromonte foi ouvido por cerca de 500 pessoas no congresso aberto ao público e promovido pelo PP gaúcho para debater as ideias progressistas, fazendo projeções sobre o espaço da legenda tanto nacionalmente quanto no Estado. A legenda no Rio Grande do Sul foi classificada pelo presidente nacional da sigla, senador Francisco Dornelles (PP-RJ), durante a abertura do evento, como "o farol do partido no Brasil". O diretório é um dos de maior peso nacional, já que congrega 200 mil do 1,2 milhão de filiados da sigla no País.

A manifestação de Negromonte iniciou imediatamente após o término da palestra do professor e filósofo Denis Rosenfield, que em sua exposição desviou a atenção para de questões partidárias. O início abrupto do ministro chegou a arrancar risos e aplausos de alguns presentes e desconforto em outros.

Para explicar sua visão sobre as liberdades individuais, Rosenfield optou por uma linguagem "didática". "Agora não dá para comprar uma Nebacetin (pomada) na farmácia porque contém antibiótico. Eu não tenho problema com isso porque tenho amigos médicos. Dou um telefonema e eles me dão a receita. Mas e as pessoas de baixa extração social? Será que vão ter que ir para a fila do SUS?", disse.

Em outro momento, quando falava sobre as blitzes feitas pela polícia para flagrar motoristas que dirigem alcoolizados, Rosenfield voltou a expressar sua indignação. "O Brasil tem um critério de bebidas hoje que é o critério da Arábia Saudita. Quem é que toma dois cálices de vinho e fica bêbado? No País da cachaça!!". O professor ressalvou que não estava defendendo quem dirige bêbado, mas sim tratando de mais um caso de intromissão do Estado sobre a liberdade de escolha dos indivíduos.

Segundo ele, esse tipo de política em determinado momento afetará até a liberdade de imprensa, porque impedirá a publicidade de determinados produtos (e grandes anunciantes), como já acontece com o fumo. "E os grandes veículos de imprensa se sustentam como?", perguntou aos presentes.

Coube à senadora Ana Amélia, que encerrou as manifestações de lideranças e convidados ilustres, a tarefa de retomar a discussão sobre as questões partidárias e os objetivos do evento. Ela lembrou a plateia da vinculação histórica do PP a setores como o empresarial (que os progressistas preferem chamar de empreendedor) e o do agronegócio. E das bandeiras do partido. "O Código Florestal deve ser aprovado tal como foi aprovado na Câmara dos Deputados. Temos compromisso com o setor que gera emprego, renda e o superávit comercial do Brasil", afirmou