'O desmatamento não pode ser anistiado', diz Dilma

A presidente Dilma Rousseff reafirmou nesta quinta-feira que poderá vetar pontos aprovados no novo Código Florestal pelo Congresso Nacional que "prejudiquem o País". A presidente inicia hoje uma série de encontros com as bancadas dos partidos no Senado Federal, onde a matéria será analisada, para tentar "construir uma solução que não leve a situação de impasse que houve na Câmara".

Veja os principais pontos da proposta do Código Florestal

"Não sou a favor da consolidação dos desmatamentos, da anistia aos desmatamentos. (...) O desmatamento não pode ser anistiado, não por alguma vingança, mas porque as pessoas têm que perceber que o meio ambiente é uma coisa que temos que preservar. E que também é possível sermos um dos maiores produtores de alimento do mundo."

Na última terça-feira, a Câmara dos Deputados aprovou o Código Florestal com uma emenda que desagradou o governo. Ela permite que os Estados possam autorizar a manutenção de atividades em Áreas de Preservação Permanente (APPs). O governo queria definir quais atividades poderiam ser consolidadas posteriormente, por meio de decreto presidencial. "Fui contra a aprovação da emenda e, respeitando a posição de todos aqueles que divergem de mim, continuarei defendendo a mudança dessa emenda no Senado."

A presidente ainda mandou um recado para a base aliada no Senado. "Eu sou a favor do caminho da compreensão e do entendimento. O governo tem uma posição, espero que a base siga a posição do governo."

Na Câmara, a emenda aprovada foi apresentada pelo PMDB e defendida pelo líder do partido, Henrique Eduardo Alves (RN), evidenciando um racha na base governista. Ao defender a proposta, o líder disse que era a hora de o Parlamento "se afirmar".

Dilma não quis confirmar se prorrogará o decreto que prevê multa para o proprietário que não registrar a reserva legal de seu imóvel até o próximo dia 11 de junho. No entanto, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), já afirmou que pedirá a prorrogação, para que a Casa tenha tempo de analisar e "dar sua contribuição" ao texto do Código Florestal.