Pimenta Neves está isolado mas 'sem privilégios', diz delegado

O delegado titular do 2º Distrito Policial de São Paulo, José Carlos de Melo, afirmou na manhã desta quarta-feira que o jornalista Pimenta Neves, assassino confesso e condenado pela morte da ex-namorada Sandra Gomide, está em um quarto separado por medida de seguranca, mas não recebe nenhum privilégio. "O tratamento é o mesmo dos demais presos. Ele tomou seu remédio e não reclamou de nada", afirmou o delegado.

Pimenta Neves foi transferido por volta das 23h30 de terça-feira da sede do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de São Paulo para o 2º DP, onde ele passou a noite e aguarda transferência para um presídio que será determinado pela Secretaria de Administração Penitenciária do Estado.

Pimenta Neves foi submetido ao exame de corpo delito ainda no DHPP, por decisão do Instituto Médico-Legal (IML). "Tínhamos um médico de plantão para este procedimento e o IML optou por fazê-lo aqui", disse o delegado Waldomiro Milanesi na porta da unidade. O policial afirmou que Pimenta Neves se manteve tranquilo desde o momento que se entregou.

O caso Pimenta Neves

A jornalista Sandra Gomide, 33 anos, foi morta com dois tiros em um haras em Ibiúna, no interior de São Paulo, em agosto de 2000. O ex-namorado de Sandra, então diretor de redação do jornal O Estado de S. Paulo, Antônio Pimenta Neves, confessou o crime, alegando que a colega o traía. Os dois se conheceram em 1997 e tiveram um relacionamento por cerca de três anos.

Pimenta Neves chegou a ficar preso por sete meses enquanto respondia ao processo, mas conseguiu no Superior Tribunal de Justiça (STJ) um habeas-corpus para aguardar o julgamento em liberdade. Em 2006, ele foi condenado a 19 anos e dois meses de reclusão em regime fechado. No entanto, alegando entendimento anterior do Supremo Tribunal Federal (STF) - de que os condenados podem recorrer em liberdade até que todos os recursos sejam julgados -, o juiz de Ibiúna concedeu ao jornalista o direito de recorrer em liberdade.

Ao julgar recurso a favor de Pimenta Neves, o Tribunal de Justiça de São Paulo considerou a confissão espontânea do crime e reduziu a pena para 18 anos. Alegando a mesma atenuante, a defesa conseguiu no STJ a redução para 15 anos. Os advogados do jornalista continuaram recorrendo até que, em 24 de maio de 2011, o STF negou o último recurso e determinou que a pena fosse imediatamente cumprida. Em seguida, policiais cercaram a casa de Pimenta Neves, na capital paulista, e ele se entregou.