Representantes do Rio Grande do Norte estudam replicar Operação Lei Seca

Quatro representantes do Comando de Polícia Rodoviária Estadual (CPRE) do Rio Grande do Norte conheceram, nesta terça-feira (10/5), os aspectos operacionais, administrativos e logísticos das blitzes da Operação Lei Seca. A comitiva veio ao Rio de Janeiro adquirir know how para implementar no estado as diretrizes do projeto.

Após dois anos, a iniciativa entra em nova fase, segundo o major Marco Andrade, coordenador da Operação Lei Seca. Pesquisas mostram que aproximadamente 95% da população fluminense apoia a fiscalização, por isso, a intenção agora é pedir que as pessoas colaborem com a campanha, evitando a divulgação dos locais e evasão das blitzes.

- Nosso slogan agora será “Operação Lei Seca: Colabore”, pois já contamos com o apoio da população. Quando acontece um acidente de avião no Brasil, a mídia noticia e isso causa uma comoção nacional. Mas a sociedade não parece se importar com o fato de que 160 pessoas morrem diariamente, vítimas de acidentes de trânsito. É como se caísse um avião por dia – calcula o major.

No ano passado, estimativa do Ministério da Saúde mostrou que o Rio reduziu em 32% o número de vítimas fatais, enquanto a média nacional ficou em 6,7%. O caráter permanente das fiscalizações e as ações educativas são os fatores que permitiram alcançar um índice tão expressivo, segundo Marco Andrade. Desde o início de 2011, as palestras foram intensificadas em empresas, escolas e universidades, para conscientizar principalmente jovens sobre o perigo da combinação entre bebida e direção.

Durante a apresentação, os policiais militares conheceram a história de Elaine Cristina Dutra, 33 anos, e Valnei Costa Rosa, 39, que trabalham na operação. Elaine ficou paraplégica aos 26 anos, quando seu carro foi atingido de frente por um jovem de 21, totalmente embriagado, que fez uma ultrapassagem indevida. O rapaz foi preso e liberado após pagamento de fiança. Já Valnei anda de cadeira de rodas desde os 6 anos, quando um caminhão bateu na traseira do carro do pai dele.

Os cadeirantes também estarão presentes na apresentação que a equipe da Lei Seca fará às 15h na sede da Faetec, em Quintino, ainda hoje, e que será acompanhada pela comitiva do Rio Grande do Norte. Os policiais também presenciarão uma blitz, para verificar a realização do teste do etilômetro e conhecer os trâmites legais aplicados em caso de sanções criminais e administrativas aos condutores.

O tenente-coronel Antenor Neves de Oliveira Junior, comandante de Operações do CPRE, acredita que replicar a experiência fluminense no Rio Grande do Norte vai ajudar a salvar vidas e reduzir o número de vítimas do trânsito.

- Fazemos blitzes esporádicas, mas a estrutura não é tão organizada quanto a daqui. Nossa intenção é levar alguém daqui para apresentar pessoalmente o projeto à governadora Rosalba Rosado, que está preocupada com a situação do trânsito no Rio Grande do Norte. Acredito que a iniciativa funciona, mas tem que ser uma política de estado para dar certo – avalia o comandante.

Desde o início do ano, representantes dos estados de Mato Grosso, Minas Gerais e Rio Grande do Sul se reúnem com a coordenação da Operação Lei Seca para conhecer melhor o modo como a ação é conduzida.