Consultoria quer capacitar deficientes para áreas técnicas

 

A consultoria Deloitte criou uma área de diversidade em 2009 e já conta com 110 profissionais com deficiência contratados em todo o Brasil, 65 apenas em São Paulo. Mas a maioria desses funcionários trabalham na área administrativa da consultoria, algo que o coordenador da área, Leandro Amaral, pretende mudar.

"Queremos formar cada vez mais profissionais com deficiência para atuarem na área técnica. Hoje avaliamos que há saturação na área administrativa e sentimos que é preciso fazer um esforço e investimento para ampliar a inclusão desse público no negócio da Deloitte", afirma Amaral.

Hoje, a consultoria tem, por exemplo, um deficiente visual total responsável por análises econômicas. Para isso, a companhia disponibilizou recursos e infraestrutura para que a deficiência não fosse um empecilho ao exercício profissional.

Para aumentar o número de exemplos como este, a empresa está iniciando um projeto de capacitação em consultoria para terceirização e estava recrutando interessados durante a Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade (Reatech), realizada na semana passada em São Paulo. No início, a capacitação será oferecida para 15 ou 20 pessoas, com ensino médio completo, escolhidas por processo seletivo interno.

De acordo com Amaral, a Deloitte tem tradição em ofertar qualificação a seus funcionários - ela paga curso superior para seus colaboradores, por exemplo - e não entende este tipo de iniciativa como gasto, mas sim como um investimento.

O coordenador de diversidade lembra que há pouco a empresa contratou dois cadeirantes para a unidade do Rio de Janeiro e teve de realizar todas as adaptações necessárias no prédio para recebê-los. "Não vamos eliminar pessoas do processo seletivo porque não temos condições de recebê-los, vamos procurar nos adaptar", diz.

Como exemplo da extensão do que a Deloitte considera diversidade, Amaral aponta a contratação de pessoas com deficiência intelectual, algo pouco usual no mercado de trabalho ainda hoje. "Estamos fazendo um trabalho para além das cotas."