Dinheiro público foi usado no mensalão, revela relatório da PF

A Polícia Federal revelou através de um relatório que o escândado do mensalão, um esquema que distribuía dinheiro a políticos do PT e de partidos da base aliada operado pelo publicitário Marcos Valério, utilizava dinheiro dos cofres públicos.

De acordo com o documento, uma das empresas de Marcos Valério, a DNA, pagou R$ 650 mil, em 2003, à empresa Alfândega Participações, de Álvaro Jucá, irmão do líder do governo no Senado Federal, Romero Jucá. O relatório da polícia diz que a forma como o dinheiro foi gasto pela empresa não foi comprovada.

A investigação também inclui o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel. A polícia descobriu que Rodrigo Fernandes, tesoureiro da campanha de Pimentel à prefeitura de Belo Horizonte em 2004, recebeu R$ 247 mil.

Ainda segundo o relatório, outras pessoas também se beneficiaram do escândalo, como um amigo e segurança do ex-presidente Lula, Freud Godoy. O ex-segurança teria confessado à Polícia Federal que recebeu R$ 98 mil do publicitário em janeiro de 2003 como pagamento por serviços de segurança prestados à campanha do ex-presidente.

Reportagem

Em reportagem publicada em 24 de setembro de 2004, o Jornal do Brasil denunciava o esquema de pagamento de propinas a parlamentares, na época já chamado de mensalão. Na matéria, o então ministro das Comunicações, Miro Teixeira, confirmava ao JB a existência do esquema. Segundo Miro, ele foi procurado por parlamentares que conheciam a trama.