MST anuncia "janeiro quente" com onda de ocupações

Reunidos em Araçatuba (535 km de São Paulo), líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) anunciaram neste sábado uma nova jornada de ocupações de terras no Estado. José Rainha Júnior disse que as propriedades nas regiões do Pontal do Paranapanema, Noroeste, Alta Noroeste e Alta Paulista serão alvos das ocupações. Uma usina de açúcar e álcool também deverá ser ocupada.

As ocupações, segundo ele, terão início na segunda quinzena de janeiro, sem prazo para terminar. "Por isso, estamos dando nome de 'janeiro quente' a essas ocupações, que têm por objetivo forçar o governo paulista e a Justiça a apressar o processo de reforma agrária no Estado", disse Rainha Júnior, que fez o anúncio da nova jornada após encontro que reuniu na tarde de hoje liderenças do movimento no distrito rural de Engenheiro Taveira, em Araçatuba.

No alvo das ocupações também estão propriedades estabelecidas numa gleba de 92,6 mil hectares, no Pontal do Paranapanema, região de conflitos agrários em São Paulo. Essas terras deverão voltar às mãos do Estado por força de uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

"O STJ considerou essa área como sendo de terras devolutas, que devem ser destinadas para reforma agrária", disse Rainha Júnior. Além dessa área, na qual, segundo o MST, seria possível assentar 10 mil famílias, outras 20 propriedades, nas regiões de Araçatuba (Noroeste), Andradina (Alta Noroeste) e Alta Paulista estão no foco das ocupações.

Além do MST, as ocupações terão apoio de outras entidades que lutam pela reforma agrária, como o Movimento dos Trabalhadores Sem terra (MTST), Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST), União dos Trabalhadores da Terra (Uniterra) e sindicatos de empregados rurais da Central Única do Trabalhador (CUT).