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Ministra do Meio Ambiente diz que aprendeu a não ficar 'ecoansiosa'

Izabella Teixeira participa da reta final das negociações na Conferência do Clima

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CANCÚN - Na reta final das negociações em busca de um acordo na 16ª Conferência do Clima das Nações Unidas (COP-16) ainda há muitas dificuldades a serem sanadas e muita conversa para se tentar chegar a um consenso. Nesse cenário, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, diz que tenta manter a serenidade e usa um termo bastante utilizado por seu antecessor, Carlos Minc, para falar sobre seu estado de espírito.  "Eu sou muito disciplinada, aprendi a não ficar muito 'ecoansiosa'. Ter um pouco de serenidade e resguardar essa posição histórica do Brasil de ser um país que sabe o que quer, mas que sabe entender a diversidade dos outros países".

O Brasil liderou, ao lado da Grã-Bretanha, uma das negociações mais intrincadas da COP-16 que é a tentativa de assegurar um segundo período de comprometimento para o Protocolo de Kyoto, que estabelece metas de redução de emissões de gases do efeito estufa para países desenvolvidos. O tratado expira em 2012.

Um dos maiores entraves está na posição do Japão, claramente contrária à prorrogação do acordo sem a participação de países em desenvolvimento que são grandes emissores, como China e Índia. Em entrevista ao jornal inglês The Guardian, o embaixador Akira Yamada, que participa das negociações em Cancún, afirmou que, apesar de muitos terem a ilusão que o Japão pode mudar sua posição, a possibilidade de isso ocorrer é zero.

A declaração vai contra o que foi dito pela ministra brasileira nesta quarta-feira, no sentido de que as negociações com Japão e Rússia estavam "avançando". Izabella disse ter a informação de que os japoneses poderiam concordar com o segundo período, sob algumas condições.

"Ele pode estar dando declarações sob a orientação do primeiro-ministro dele. Ficou claro que temos um problema com o governo japonês, como também temos uma dificuldade com os russos, com a Nova Zelândia, isso já está colocado. Mas estamos todos mobilizados em buscar uma solução".

A ministra admitiu que o processo político muda muito rapidamente, mas lembrou que esse é exatamente o desafio em Cancún, "construir posições comuns dentro da diversidade". "É só o começo de um novo patamar. Teremos outras dificuldades, outras negociações. Isso é multilateralismo: no final todo mundo se abraça, se beija e vai para a próxima reunião. Eu sigo confiante, ninguém me informou nada drástico".

Após a fase de consultas aos países que participam da conferência, foi elaborado um relatório que agora está servindo como base para que cada termo seja negociado pelos grupos técnicos.  "Eu continuo otimista. Temos dificuldade, mas isso é do processo de negociação. Nessas horas eu sou muito fria, muito tranquila. Estou otimista que a gente possa ter resultados aqui que vão oferecer novos caminhos em torno daquilo que todos nós queremos, que é um acordo do clima".

A programação oficial da COP-16 em Cancún vai até esta sexta-feira.