O ex-prefeito do município mineiro Limeira do Oeste, Antônio Ferrari, foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) em Uberaba por suspeita de fraude à licitação e superfaturamento. Segundo informações oficiais nesta quinta-feira, os crimes teriam sido praticados junto ao esquema conduzido pela chamada máfia dos sanguessugas - caso descoberto em 2006 de uma quadrilha que desviava dinheiro para compra de ambulâncias.
O MPF denunciou ainda o empresário Luiz Antônio Trevisan Vedoin, proprietário do Grupo Planam, e os servidores públicos municipais Clóvis de Souza Brito, à época presidente da Comissão Permanente de Licitação, e Sérgio Gouveia Cancella, ex-secretário de administração.
Em julho de 2002, Ferrari assinou um convênio no valor de R$ 76,8 mil com o Ministério da Saúde, para comprar uma ambulância. Os recursos foram destinados à cidade com uma emenda parlamentar do ex-deputado federal Cabo Júlio.
Segundo a denúncia, Vedoin teria dito que Cabo Júlio liberava recursos para municípios mineiros com o auxílio de militares vereadores nos locais. Em Limeira do Oeste, o contato era um militar reformado, que confirmou ter acompanhado o ex-prefeito a um churrasco em 2003, quando foi anunciada a liberação das emendas. Na ocasião, Júlio teria mostrado uma ambulância e deixado subentendido que as emendas seriam utilizadas para compra dos veículos através da empresa Planam.
Em Limeira do Oeste, a licitação foi direcionada para empresas pertencentes ao Grupo Planam: a Vedovel Comércio e Representação Ltda e a Klass Comércio e Representação Ltda. A terceira empresa convidada, Politec Produtos e Serviços Ltda, embora não pertencesse ao grupo, tinha um acordo com a família Vedoin para ajuste de preços em licitações.
A denúncia diz que a "Klass Comércio e Representação Ltda tinha como sócias Maria Loedir de Jesus Lara e Rita de Cássia Rodrigues de Jesus. Maria Loedir era empregada doméstica da família Vedoin e Rita de Cássia Rodrigues, sua irmã. O denunciado Luiz Antônio Vedoin admitiu que ambas foram utilizadas como laranjas, com a finalidade de ocultar os reais donos das empresas".
As três propostas foram supostamente entregues na prefeitura na mesma data, mas não há documentos para comprovar. No dia da abertura das propostas, não havia nenhum representante das empresas participantes e, em duas delas, ainda faltavam documentos. Com isso, uma nova licitação seria obrigatória, mas ela não ocorreu.
A Polícia Federal descobriu ainda que o verdadeiro preço da ambulância comprada por R$ 76,8 mil era de R$ 64,1 mil, caracterizando um superfaturamento de mais de R$ 12 mil. Se condenados, os acusados estarão sujeitos a penas que variam de 5 a 10 anos de prisão.