Relatórios do Metrô de SP apontam problemas em dia de colapso

SÃO PAULO - Relatórios oficiais do Metrô de São Paulo indicam que a paralisação de duas horas da principal linha metroviária de São Paulo, no dia 21 de setembro, foi precedida por congestionamento nos trilhos, problema na cabine do trem e falhas de comunicação. As informações são do jornal Folha de São Paulo.

O Metrô havia divulgado que uma blusa presa na porta era a provável origem da paralição na linha 3 - vermelha, evento que causou pânico entre passageiros e deixou 18 trens danificados e afetou mais de 150 mil pessoas.

O problema é confirmado nos relatórios, mas também estão registradas dificuldades dos operadores em manter contato com o Centro de Controle Operacional (CCO), que orientava os condutores. Ainda de acordo com os relatórios, o trem 309 apresentava problemas nos indicadores de velocidade.

Este foi o primeiro trem a parar, antes de chegar à estação, e os relatórios registraram que os passageiros começaram a sair dos vagões 5 minutos após a parada. Segundo a estatal, as interferências na comunicação não determinaram os desdobramentos do colapso na linha.

Em nota, o Metrô afirmou que a blusa presa causou a perda de indicação de portas fechadas, mas não a paralisação.

 

Entenda o caso

O caos no Metrô de São Paulo começou às 7h50 do dia 21 de setembro, quando uma composição perdeu a sinalização de portas na estação Sé, sentido Palmeiras-Barra Funda. Na primeira inspeção realizada no local, segundo nota da assessoria de imprensa do Metrô, foi encontrada uma peça de vestuário em uma das portas do último carro. Enquanto a sinalização estava sendo restabelecida, usuários acionaram o "botão soco", dispositivo que permite a abertura de portas, e saíram pela passagem de emergência.

Segundo a companhia, o mesmo aconteceu em outras composições e, por isso, a energia teve que ser cortada em alguns trechos da linha, por medidas de segurança. "Durante a ocorrência, foram emitidas mensagens sonoras nos trens e estações de todo o sistema, e devolvida a passagem aos usuários que optaram por sair do Metrô", diz a nota.

Durante a paralisação, passageiros relataram quebra-quebra e muita confusão. Segundo o Metrô, 17 trens foram danificados. Algumas pessoas teriam inclusive sofrido desmaios. Entre os usuários, também surgiu o boato de que alguém havia se atirado nos trilhos.

Ainda conforme a companhia, às 10h14, toda a via voltou a ser energizada e os trens reposicionados para o reinício da operação na linha. Às 10h30, as estações começaram a ser reabertas para embarque dos usuários.