PR: funcionários da Assembleia admitem irregularidades

 

Os advogados de defesa dos dois ex-diretores da Assembleia Legislativa do Paraná, José Ary Nassif e Cláudio Marques da Silva, que respondem pelo escândalo de atos secretos e contratação de funcionários fantasmas no Legislativo paranaense, dispensaram as suas testemunhas e suspenderam as audiências previstas para esta quinta-feira e a próxima sexta-feira.

O julgamento do caso investiga o desvio de R$ 13,2 milhões através da contratação de nove parentes do ex-funcionário Daor Afonso Martins de Oliveira. Agora, a juíza Ângela Ramina aguardará o depoimento de duas testemunhas que serão ouvidas fora de Curitiba para marcar o depoimento dos réus. Nos depoimentos da tarde desta quarta, funcionários da Assembleia admitiram algumas das irregularidades.

O procurador da Assembleia Marco Antonio Marconcin, que presidiu a comissão de sindicância instaurada logo após as primeiras denúncias de atos secretos, disse que as únicas irregularidades encontradas "foram casos de desproporcionalidade entre a ficha funcional e a ficha financeira de alguns funcionários", ou seja, salários que não condiziam com os cargos ocupados. Marconcin afirmou que "não existem diários secretos e, sim, diários avulsos, complementares, que estão à disposição na biblioteca da Assembleia". E completou: "se existem atos com datas alteradas, não foi por maldade, mas por erros dos funcionários". O procurador, no entanto, reafirmou que há presunção de que, se ocorreram irregularidades, os ex-diretores estavam cientes.

O último depoimento foi da funcionária Cleia Lúcia Pereira Carazzai, responsável pelos registros de atos do Legislativo nos computadores do departamento pessoal. Carazzai contou que, a pedido de Cláudio Marques, não respeitava a ordem numérica dos atos registrados, saltando alguns números.

Segundo ela, seriam "utilizados para registrar atos que não posse ou exoneração, mas de licença ou falecimento". A funcionária também confirmou que preencheu atos de 2008 com a data de 2006 e assim também procedeu com atos de 2002 e 2003, "para corrigir pequenas falhas".