Caso Bruno: advogado diz que Macarrão só fala se juíza convocar delegados

BELO HORIZONTE - O advogado Claudio Dalledone, que defende Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, disse nesta sexta-feira que seu cliente está disposto a prestar depoimento para a juíza Marixa Fabiane, "desde que ela autorize que os delegados que apuraram o caso sejam ouvidos no Tribunal do Júri de Contagem". Macarrão é acusado de envolvimento no desaparecimento e morte de Eliza Samudio, ex-amante do goleiro Bruno de Souza.

Dalledone sustenta que o fato da juíza indeferir os vários pedidos dos advogados de defesa para que Edson Moreira, Ana Maria Santos, Júlio e Alessandra Wilke prestem depoimento é um cerceamento do direito de defesa dos acusados. "É preciso que os delegados tenham coragem de vir aqui e assumir perante todos nós essa história fantasiosa que criaram", afirmou.

Dalledone afirmou ainda que vai entrar com um pedido de habeas-corpus no Tribunal de Justiça de Minas Gerais para que os desembargadores determinem o depoimento dos delegados.

Nesta sexta-feira, devem ser ouvidos no Fórum de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG), o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, e Fernanda Gomes de Castro, ex-namorada de Bruno. Bola chegou ao fórum pouco depois das 9h e deve prestar depoimento ainda nesta manhã.

Discussão

Na audiência de quinta-feira, uma discussão entre Claudio Dalledone e a juíza Marixa Fabiane fez com que Macarrão se negasse a falar em Contagem (MG). Os outros dois advogados de Macarrão - Wasley Vasconcelos e Américo Leal - concordaram com a decisão e o acusado se negou a responder às perguntas da juíza. A audiência terminou sem o depoimento dele.

Dalledone disse para a juíza que ela estava "cansada, com estado de ânimo desanimado e por isso cerceava o trabalho da defesa." Ele então bateu no ombro de seu cliente e pediu para ele ficar em silêncio. "O Macarrão é muito cabeça-dura, ele queria falar, mas a gente não", disse Américo Leal, que afirmou também que a discussão foi provocada e é uma estratégia da defesa.

Questionado pela juíza Marixa Fabiane sobre o motivo de ter ficado em silêncio até agora, Macarrão afirmou que "não falei na delegacia porque a polícia queria que eu inventasse uma história". A discussão entre a juíza e o advogado Dalledone começou quando ele conversava na banca de defesa com Macarrão e os outros advogados, o que irritou a magistrada, que determinou que eles se afastassem.

"Há muito tempo que sou do posicionamento de que ele não deve falar. Depois que o Bruno deu um depoimento muito bom, retilíneo, vi que não teria mesmo porque o Macarrão falar, até porque pode acontecer algo que pode jogar abaixo a nossa defesa", afirmou Américo Leal.

Antes de Macarrão, o goleiro Bruno prestou longo depoimento, dando a sua versão para o desaparecimento de Eliza Samudio. O ex-jogador do Flamengo disse que Eliza saiu do sítio de Esmeraldas (MG) às 17h do dia 10 de junho, sendo levada por Luiz Henrique Romão, o Macarrão, para um ponto de táxi, que não foi revelado. Desde então, segundo o goleiro, ela está desaparecida e ele não sabe o que aconteceu.