Bruno afirma que Eliza foi embora de sítio em Minas de táxi

Em depoimento que acontece nesta quinta-feira no Fórum de Contagem (MG), o goleiro Bruno de Souza relatou a sua versão para o desaparecimento de Eliza Samudio. O ex-jogador do Flamengo disse que Eliza saiu do sítio de Esmeraldas (MG) às 17h do dia 10 de junho, sendo levada por Luiz Henrique Romão, o Macarrão, para um ponto de táxi, que não foi revelado. Desde então, segundo o goleiro, ela está desaparecida e ele não sabe o que aconteceu.

Bruno disse também ter sido procurado por Eliza no dia 8 de junho, quando ela teria pedido a ele que ficasse com o filho Bruninho por sete dias, pois ela teria que ir para São Paulo pagar algumas despesas com os R$ 30 mil recebidos dele em acordo feito para que ela não fizesse escândalo na imprensa. Bruno, então, afirmou que voltou para o sítio - ele estava na casa da avó materna, Luceli Aves de Souza - com Bruninho e entregou a criança para sua mulher, Dayanne Rodrigues.

O jogador falou ainda sobre a conversa que teve com Eliza Samudio dentro do seu sítio, à beira da piscina, no dia 7 de junho. Bruno afirmou que foi um momento em que pode realizar seu grande sonho.

"Ficamos conversando sobre o dia a dia, sobre a gravidez dela, que eu não acompanhei. Disse que tinha sido muito difícil, confusões do passado. O que ela falou na televisão. Esclarecemos muitas coisas. Debaixo de um pinheiro, numa mesa de vidro, fiquei brincando com o Bruninho. Criei uma paixão enorme por criança. Meu sonho era ter um filho, um menino. Então, era tudo normal", disse o goleiro.

A juíza Marixa Fabiane questionou o jogador se ele pretendia falar a verdade sobre o caso. "Quaresma disse que o senhor (Bruno) ficaria preso uma semana. Depois, o Quaresma disse que nenhum cliente dele ficaria preso mais que 100 dias. O senhor está preso há mais de 120 dias. O senhor sabe que estão presos alguns amigos de infância, sua ex-mulher, sua ex-namorada. O senhor está disposto a declarar as verdades dos fatos?", perguntou. "Somente a verdade, excelência", respondeu o goleiro. "Foi você quem salvou a vida do Bruninho (filho de Eliza)?", questionou a juíza. "Em momento algum a vida do Bruninho ou da Eliza esteve em perigo, pois eles estavam sob os meus cuidados", disse Bruno.

Em seu depoimento, Bruno deu detalhes sobre a viagem de seu, Macarrão, e Eliza do Rio de Janeiro a Minas Gerais. "No dia 4 de junho, o Macarrão pegou o carro dele no Hotel Windsor, onde estava concentrado, para resolver um problema. No outro dia, um sábado, Macarrão voltou e falou que iria levar a Eliza para Minas Gerais", disse o jogador.

Ainda segundo Bruno, após perguntar a Macarrão o motivo da viagem, o amigo disse que depois responderia. "Eu falei 'tudo bem', mas fiquei pensando muito naquilo. Achei estranho, tanto que não me concentrei direito e por isso fui mal no jogo entre o Flamengo e o Goiás, no dia 5", disse.

Ao responder à juíza sobre seus dados pessoais, Bruno disse ter "duas filhas e possivelmente um outro filho". Questionado sobre quem seria o possível filho, o atleta respondeu: "o Bruninho".

Antes do depoimento, o advogado de Bruno, Ércio Quaresma, informou que o jogador responderia apenas às perguntas da juíza, negando-se a prestar esclarecimentos ao Ministério Público, aos assistentes de acusação e aos advogados de sua mulher, Dayanne de Souza, e seu primo, Sérgio Rosa Sales, o Camelo.

Quaresma afirmou que não permitiu que Bruno respondesse às perguntas porque os advogados de Dayanne e Sérgio não deixaram que seus clientes respondessem a suas perguntas.

José Arteiro Cavalcante, advogado da mãe de Eliza Samudio, Sonia de Fátima Moura, afirmou nesta quinta-feira que, com base no depoimento do goleiro Bruno de Souza à Justiça de Minas Gerais, é possível determinar o motivo do assassinato da estudante: extorsão. "O Bruno disse que Eliza queria mais dinheiro, ele não concordou com isso. Está explicado o motivo que eles fizeram isso", afirmou o advogado no Tribunal do Júri de Contagem (MG).

O caso

Eliza desapareceu no dia 4 de junho, quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano passado, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.

No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas dizendo que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, de 4 meses, estava lá. A atual mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado.

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em dois depoimentos, admitiu participação no crime. Segundo a polícia, o jovem de 17 anos relatou que a ex-amante de Bruno foi levada do Rio para Minas, mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Todos negam participação e se recusaram a prestar depoimento à polícia, decidindo falar apenas em juízo.

No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno responderá como mandante e executor do crime. Além dos oito que foram presos inicialmente, a investigação apontou a participação da atual amante do goleiro, Fernanda Gomes Castro, que também foi indiciada e detida. O Ministério Público concordou com o relatório policial e ofereceu denúncia à Justiça, que aceitou e tornou réus todos os envolvidos. O jovem de 17 anos, embora tenha negado em depoimentos posteriores ter visto a morte de Eliza, foi condenado no dia 9 de agosto pela participação no crime e cumprirá medida socioeducativa de internação por prazo indeterminado.