Uma criança de 3 anos, da etnia indígena Guarani Kaiowá, morreu na quarta-feira de uma parada cardícaca provocada pela desnutrição. O menino morava em uma área de conflito entre indígenas e fazendeiros no município de Coronel Sapucaia (MS), na fronteira com o Paraguai.
Em nota, a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), responsável pela assistência médica aos povos indígenas, afirmou que conflitos entre fazendeiros e índios dificultam o atendimento das equipes na região. O garoto recebeu assistência médica somente na quarta-feira, quando foi encaminado à Casa de Apoio à Saúde Indígena (Casai) de Amambai e depois ao Hospital Regional do município, onde morreu pelo agravamento do quadro de diarréia, vômitos, febre e distensão abdominal.
Após a morte, a Funasa e o município de Coronel Sapucaia decidiram elaborar um plano emergencial de intervenção na região de conflito. Na nota, a Fudação afirma ter "dificuldades em realizar ações de saúde de forma continuada em regiões de conflitos por terras no estado do Mato Grosso do Sul, devido à insegurança ocasionada para as equipes de saúde, além das dificuldades de acesso e por se tratar de propriedades particulares que não se configuram como terras indígenas", diz o comunicado.
A área em que o menino vivia está sendo disputada entre índios e fazendeiros da região. Em julho deste ano, a Justiça determinou a permanência dos índios no local.