Suspeito dizia ser reencarnação de bebê de empresária, diz filha

Portal Terra

DA REDAÇ O - Principal suspeito da morte da empresária Solange Alves da Silva, o pai de santo Sinval Nunes dos Santos Junior, 43 anos, dizia ser a reencarnação de um filho da vítima, segundo afirmou Karen da Silva Ferraz, que também é filha da empresária. De acordo com Karen, Solange conhecia Sinval havia 17 anos. A empresária teria sido enterrada viva em um suposto ritual de magia negra no Rio Grande do Sul.

A mulher, desaparecida desde janeiro, foi assassinada e teve o corpo colocado em uma cova coberta com concreto. A polícia investiga se ela foi enterrada vida. Seu corpo foi identificado por meio de exame de DNA. Dois dos três suspeitos de cometerem o crime foram presos.

"Minha mãe perdeu um filho quando era jovem, e sabendo disso, o pai de santo dizia que era a reencarnação da criança", afirmou. Karen disse que a família nunca confiou no pai de santo. "Suspeitávamos dele, mas nunca pensamos que ele poderia ir tão longe. Eu e o meu irmão tentamos, por muitas vezes, conversar com ela dizendo que ele tentava arrancar dinheiro, mas ela estava cega com ele e com a religião, e não dava ouvidos".

Ela disse que sua mãe sempre foi praticante de religiões afro-brasileiras, o que possibilitou a aproximação com o pai de santo. "Ele era muito próximo dela e a manipulava para conseguir dinheiro dizendo que sofria de câncer no estômago, além de usar os próprios filhos, para amolecer o coração da minha mãe com o intuito de conseguir dinheiro", disse.

Karen foi quem denunciou o desaparecimento de Solange à polícia. "Assim que soubemos do desaparecimento fizemos a ocorrência e bloqueamos as contas, mas descobrimos que ele (o pai de santo) tinha retirado R$ 27 mil da conta dela. Além disso, ele e os outros (envolvidos) já tinham gastado mais de R$ 40 mil dos cartões de crédito", afirmou.

O caso

A empresária foi encontrada usando uma "capa de bruxa". No local onde o corpo foi escondido, foram encontrados dois pequenos caixões pretos com uma cruz vermelha e uma corrente. Segundo o delegado, os objetos são usados em rituais de magia, com o objetivo de evitar que o espírito da vítima deixe o local para buscar os autores.

O sumiço da empresária foi desvendado quando os agentes investigavam outro homicídio. De acordo com Zucco, o paradeiro do corpo foi informado, em depoimento, pelos pais de um rapaz que foi morto. Ele era usuário de drogas. O jovem teria contado aos pais antes de morrer que ele o os amigos tinham enterrado uma mulher viva em uma área de reflorestamento, depois de assaltá-la. O corpo da empresária foi identificado por meio de um exame de DNA feito pelo Instituto Geral de Perícia do Estado.