MP denuncia donos de hospital por morte de bebê

Portal Terra

SALVADOR - O Ministério Público da Bahia denunciou, por homicídio doloso, dois co-proprietários do hospital Serviço Médico Cirúrgico e Obstétrico São Francisco (Semec) e um médico anestesista pela morte por asfixia de um bebê no útero da mãe na cidade de Juazeiro.

Segundo o MP-BA, os co-proprietários Antônio Carlos Pereira e Jamile Dubre e o anestesista João Oliveira vão responder pelo crime juntamente com o médico-plantonista Ariovaldo Saraiva Sales e o diretor-médico do hospital, Antônio Leovigildo Araújo Costa, e com as técnicas de enfermagem Joelma das Montanhas e Jaiselma da Cruz Vieira, já denunciados em uma ação penal pública ajuizada em abril pelo promotor de Justiça Rildo Carvalho.

Segundo o promotor, a gestante Ana Paula de Jesus Santos, grávida pela primeira vez, ao ter procurado o hospital aos primeiros sinais de trabalho de parto passou mais de 19 horas em sofrimento sem receber o atendimento adequado e perdeu o filho. A denúncia inicial foi aditada pelo promotor de Justiça no último dia 8, incluindo os nomes dos novos acusados.

Segundo o Ministério Público, Ana Paula buscou atendimento no Hospital Semec por volta das 5h do dia 27 de março de 2007, sendo atendida pelo médico Antônio Costa, mais conhecido como doutor Alac, que lhe concedeu alta hospitalar por não encontrar indicação de que o parto ocorreria naquele momento.

Por volta das 18h do mesmo dia, explica o promotor, a paciente, em trabalho de parto, retornou ao hospital, foi internada, mas não foi atendida pelo médico que deveria estar de plantão, Ariovaldo Sales, pois ele encontrava-se de "sobreaviso" em sua residência, na cidade de Petrolina (PE).

A gestante ficou sob os cuidados das enfermeiras Jasielma Vieira e, posteriormente, Joelma Montanhas. Segundo a denúncia, durante horas seguidas Ana Paula foi deixada em sofrimento, a aguardar que o parto ocorresse espontaneamente.

De acordo com a denúncia, a enfermeira Joelma, para facilitar a expulsão do feto, rompeu a placenta da gestante, mas, ao invés do bebê surgir no canal de parto, foi o cordão umbilical o primeiro a ser expulso do corpo da mãe. Mesmo assim, a gestante foi orientada pelas enfermeiras a colaborar com o parto, na tentativa de fazer expulsar o feto, mas apenas o cordão umbilical apontava, o qual, segundo o promotor, elas empurraram novamente para o ventre da mãe.

De acordo com o MP, somente por volta da meia-noite, as enfermeiras ligaram para a residência do médico plantonista, informando-o do problema, e ele, ao finalmente cientificar-se da gravidade do caso, requereu por telefone que acionassem um anestesista e preparassem a paciente para ser submetida a uma cirurgia cesariana. Entretanto, explica o promotor, o anestesista do hospital, João Oliveira, não foi encontrado, sendo a gestante encaminhada para o Hospital Clise, onde recebeu a notícia da morte de seu filho e sofreu uma cirurgia para retirada do feto.

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