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MST tenta invadir sede da Vale em Belém

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Portal Terra

BELÉM - Um grupo de cerca de 200 trabalhadores sem-terra, que participam de uma caminhada pelas ruas do Centro de Belém (PA), como parte da programação em memória dos 12 anos do massacre de Eldorado de Carajás, tentou invadir a sede da mineradora Vale. Segundo a polícia, houve princípio de tumulto, mas ninguém ficou ferido.

De acordo com um dos coordenadores do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) no Pará, Paulo Santos, a tentativa de ocupação aconteceu em represália a declarações recentes do presidente da Vale, Roger Agnelli. - Ele chamou os movimentos sociais de terroristas, que somos bandidos e que isso é caso de polícia - disse Santos.

- Nossa ocupação é para expressar nossa revolta com a Vale. Ela sim é uma das empresas que mais incentiva a violência no campo neste país - diz o coordenador do MST.

De acordo com a Polícia Militar, apesar do protesto, não houve depredação do prédio da empresa.

- Como estávamos acompanhando desde o início, eles só chegaram até o estacionamento, fizeram a manifestação deles e saíram - disse o capitão Anilson Almeida.

Depois da tentativa de invasão do prédio, os manifestantes retornaram ao acampamento dos sem-terra, na Praça da Leitura, no bairro de São Brás, onde acontece um ato ecumêmico para lembrar as vítimas do massacre. A Vale não soube afirmar o número de funcionários que estaria na sede no momento da tentativa de invasão, mas disse que eles estariam sendo impedidos de sair da empresa. A mineradora não confirmou a saída dos manifestantes. O coordenador do MST no Pará, Ulisses Manaças, negou que ainda haja algum integrante do movimento na Vale.

- Nosso protesto foi pacífico. Ocupamos um espaço público, que consideramos que foi privatizado ilicitamente - afirmou Manaças.

De acordo com nota divulgada pela mineradora, os garimpeiros e integrantes do MST que ocupam a Estrada de Ferro de Carajás, que pertence à empresa, no município de Parauapebas (PA), fizeram refém um maquinista hoje. Raimundo de Souza Nepomuceno, 43 anos, ficou sob o poder do grupo e depois foi obrigado a descer do trem. Ele foi libertado. Segundo a Vale, os manifestantes ocuparam um trem e um ônibus que presta serviço à empresa. Eles teriam ameaçado atear fogo nos dois veículos.

Uma tropa da Polícia Militar está na área para negociar a liberação da estrada. A situação seria tensa no local. Por meio de nota, a Vale informou que 35 passageiros do ônibus também ficaram alguns minutos em poder dos manifestantes, sendo liberados em seguida.

Ainda de acordo com a Vale, garimpeiros e sem-terra saíram feridos após o choque entre o trem e toras de madeira colocadas por eles mesmos nos trilhos da rodovia. A informação foi desmentida pela Secretaria de Saúde de Parauapebas.

- Recebemos sim um chamado para socorrer os feridos, até preparamos o hospital municipal para recebê-los, mas depois a Polícia Militar informou que foi alarme falso - disse o secretário de Saúde do município de Parauapebas, Manoel Alves.

Na nota, a Vale repudia a ação dos sem-terra e garimpeiros e diz que não vai medir esforços para garantir a segurança dos empregados, usuários do trem de passageiros, clientes e acionistas. De acordo com a mineradora, a ocupação impede o transporte de cerca de 1,3 mil passageiros entre o Pará e o Maranhão, além do transporte de cerca de 300 mil toneladas de minério de ferro. O prejuízo seria de US$ 22 milhões.

Na semana passada, a mineradora conseguiu na Justiça Federal uma liminar que proíbe a interdição da rodovia pelos garimperios e MST. Pela decisão do juiz Carlos Henrique Haddad, todos os bens encontrados no local, em caso de interdição, devem ser apreendidos.

A multa individual para o descumprimento da decisão é de multa individual de R$ 3 mil.