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SÃO PAULO - Dois dados foram acrescentados à investigação da morte da menina Isabella Oliveira Nardoni, de 5 anos, em São Paulo. O primeiro é que além dos vestígios de sangue no Ford KA de Alexandre Nardoni, pai da menina, a perícia de quarta-feira no prédio onde o pai e a madrasta de Isabella moram, descobriu também manchas no apartamento da irmã dele, que está vazio e fica no mesmo edifício. Lá, foram encontradas roupas que Alexandre usou no sábado em que a menina morreu.
O segundo é que a tela de proteção do quarto, por onde Isabella teria sido jogada na noite de sábado do sexto andar do prédio onde passava o fim de semana com o pai, foi cortada com uma tesoura. A constatação foi feita por peritos que estiveram novamente no apartamento, entre noite de quarta e a madrugada desta quinta-feira. Os peritos apreenderam uma tesoura no apartamento. Agora, ela será periciada para se saber se foi a mesma usada para cortar a tela. A polícia descartou a hipótese de queda acidental.
Os peritos ficaram cerca de uma hora e meia analisando o veículo e também fizeram uma varredura no apartamento do casal em busca de manchas, fios de cabelo e até pedaços de unhas que possam ajudar a esclarecer o crime. As novas descobertas foram possíveis graças ao produto químico luminol, que permite que vestígios sejam detectados mesmo que o local tenha sido lavado.
Na primeira perícia, sábado, a polícia já tinha encontrado vestígios de sangue no hall de entrada do apartamento, no quarto e na tela de proteção da janela, que foi cortada com uma tesoura, encontrada no local. A amostra passará por exame de DNA. Há a hipótese de Isabella ter sido sufocada antes de chegar ao prédio e colocada sobre a grama, em vez de arremessada.
Para simular a morte de Isabella, a polícia usou uma boneca do tamanho de uma criança. O brinquedo foi colocado em dois pontos do gramado do prédio: um onde não havia ângulo para uma queda da janela e outro em um local onde ela poderia ter caído pela tela cortada.
Os advogados do pai e da madrasta chegaram às 21h e acompanharam o trabalho dos peritos, que estavam lá desde as 19h40. Os policiais entraram no apartamento, foram até a janela e durante mais de duas horas fotografaram as paredes do apartamento e o chão, além de aplicarem o luminol em todas as dependências. Às 23h15 os advogados foram embora e alguns peritos continuaram no local.
A roupa usada por Alexandre no sábado, dia em que Isabella morreu, foi achada no apartamento da irmã dele, que, segundo informações dos peritos, fica no mesmo andar do prédio onde ele mora com a mulher, Anna Carolina Jatobá e os dois filhos do casal. No andar, apenas o apartamento do casal estava ocupado. Os demais estavam vazios, segundo a polícia.
Nardoni e a mulher, Anna Carolina Jatobá, 24, que tiveram prisão temporária decretada por 30 dias , prorrogáveis por mais 30, prestam depoimento nesta sexta-feira, separadamente. Os dois se entregaram na noite desta quinta e estão presos em delegacias diferentes , em celas individuais, onde ficam presos que correm risco. Ela está no 89º Distrito Policial (Morumbi) e ele, no 77º Distrito Policial (Santa Cecília). Os advogados pediram garantia de integridade física dos dois antes que se entregassem.
No primeiro depoimento à polícia, Nardoni disse que alguém entrou no apartamento e jogou sua filha pela janela. Ele teria chegado com a família e levado primeiro Isabella até um dos quartos. Colocou a menina na cama, deixou a luz do abajur acesa e voltou à garagem do prédio para ajudar a mulher a levar os outros dois filhos pequenos, que dormiam. Calculou ter levado cerca de 10 minutos e que, quando retornou, a porta estava fechada e foi aberta normalmente. A um policial militar, no dia da tragédia, disse ter visto o suposto agressor dentro do apartamento . O advogado de Nardoni afirmou que Anna Carolina havia perdido uma chave e que, além disso, as chaves costumavam ficar na portaria.
Os investigadores e peritos consideram a hipótese de Isabella ter sido agredida antes de chegar ao prédio. Houve, porém, relatos de vizinhos que disseram ter ouvido uma criança gritar "Pára, pai", frase depois reinterpretada por um dos advogados de Nardoni, que disse que a criança poderia estar chamando pelo pai e pedindo a seu suposto agressor que parasse.
Nesta quinta, o trabalho da perícia encontrou vestígios de sangue em um dos carros do casal, um Ford Ka, depois do uso de uma substância chamada luminol, (luzes forenses) que detecta fluidos humanos, como sangue ou esperma, além de fios de cabelo, que não conseguem ser identificados a olho nu.
Os peritos ainda não sabem de quem é o sangue. A polícia já tinha encontrado vestígios de sangue no hall de entrada do apartamento, no quarto e na tela de proteção da janela, na primeira perícia. Nesta sexta-feira, às 19h, está prevista a missa de sétimo dia da morte de Isabella Nardoni, na Igreja Nossa Senhora da Candelária, na Vila Maria, zona norte da cidade.
Na manhã de quinta, antes de se entregarem à polícia, o pai de Isabella e Anna Carolina Jatobá divulgaram cartas nas quais se defendem. Nardoni afirmou que não é um monstro e que prometeu diante do caixão da filha encontrar o agressor. Anna Carolina, que se colocou como "tia Carol", disse que também amava a menina e lembrou baú e abajur comprados para o quarto que a menina teria no apartamento novo da família.