Leandro Martins, Agência Brasil
BRASÍLIA - Oito lideranças da etnia Yanomami de Roraima e do Amazonas estão na capital federal para discutir mineração em terra indígena e outras questões relativas a seus povos. As lideranças pretendem permanecer em Brasília até a noite desta quinta-feira.
Os Yanomamis pediram uma audiência com o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai) para a manhã desta quinta-feira, a fim de tratar de assuntos como saúde e territórios. Até o fim da tarde desta quinta-feira, a reunião não havia sido confirmada.
Na terça-feira, a comitiva participou de uma sessão da Comissão Especial sobre Mineração em Terras Indígenas da Câmara dos Deputados. O líder yanomami Davi Kopenawa entregou ao presidente da comissão, deputado Édio Lopes (PMDB-RR), um documento em que organizações indígenas e socio-ambientais repudiam a ida de parlamentares da própria comissão à aldeia. A visita ocorreu no dia 14, sem um aviso à comunidade com antecedência, o que foi apontado como um desrespeito.
Segundo Kopenawa, a mineração afeta a área onde ocorre a extração de minério com devastação ambiental, superpovoamento, alcoolismo e confrontos violentos entre indígenas e não-índios. Ele citou outro problema enfrentado pelos Yanomami na década de 1970, com a construção da estrada Perimetral Norte (a Rodovia Federal BR-210), e disse temer que se repita se houver mineração em terra indígena.
- O povo Yanomami não a quer, e eu não quero, porque já vem sofrendo de doenças levadas para a nossa comunidade, como sarampo, gripe, tuberculose, malária, e outras doenças.
Para o deputado Márcio Junqueira (DEM-RR), que integra a comissão, é necessário desmistificar a questão e conhecer o potencial mineral do país.
- Nós estamos tendo a preocupação de identificar que minérios existem nessas reservas indígenas e quais são as suas potencialidades. Depois disso, ver o custo-benefício - relatou o parlamentar.
Davi Kopenawa também reclamou que os deputados tentaram persuadir os Yanomami, oferecendo presentes como facas e anzóis. Márcio Junqueira rejeitou a acusação. Ele disse que apenas fez um comentário aos índios: que as pessoas não devem ganhar as coisas, têm de trabalhar, e que não precisam de peixe, e sim do anzol.