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Proposta de adesão da Venezuela ao Mercosul divide deputados da CCJ

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Agência Brasil

RIO - Os integrantes da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara estão divididos em relação à entrada da Venezuela no Mercosul. O projeto de decreto legislativo que prevê a adesão do país vizinho ao bloco deve ser votado nesta quarta-feira na comissão.

Segundo o deputado José Genoino (PT-SP), o que está em jogo não é o processo político pelo qual passa a Venezuela, que ele classificou de denso , mas a integração do país ao bloco.

- Não estamos aqui avaliando o processo político da Venezuela, estamos aqui avaliando os interesses da integração do Estado venezuelano, que é permanente.

O deputado Ivan Valente (P-SOL-SP) afirmou que mesmo que houvesse qualquer proposta mais autoritária na Venezuela, tudo [no Mercosul] é resolvido por consenso, então não existe nenhum perigo . Na reunião, o parlamentar rebateu críticas de deputados da oposição de que haveria um regime autoritário na Venezuela.

Para o deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM- BA), a adesão do país vizinho ao bloco significaria dar um cheque em branco ao ditador Hugo Chávez [presidente venezuelano] . ACM Neto criticou a reforma constitucional em curso na Venezuela, principalmente a proposta de reeleição ilimitada do presidente.

O parlamentar disse ainda que o Mercosul defende princípios democráticos, o que, para ele, não existe naquele país. O que há na Venezuela é uma ditadura, não uma democracia.

Ao se posicionar contra o ingresso da Venezuela no Mercosul, o líder do PSDB na Câmara, Antonio Carlos Pannunzio (SP), disse que o problema não é o país em si, mas questões políticas relacionadas ao seu presidente.

- Admitir [a Venezuela] na mesma organização que amanhã ou depois pode ser presidida por um camarada imprevisível como o presidente da Venezuela seria colocar fogo no Mercosul - disse o líder.

Em reunião realizada na noite desta terça-feira, a Executiva Nacional do PSDB decidiu fechar questão contra a entrada da Venezuela no bloco. Segundo a assessoria do partido, a posição foi adotada considerando as condições políticas daquele país, mas também porque a Venezuela não tem atendido às condições técnicas pré-estabelecidas para admissão de novos membros no mercado comum.